Arquivo da categoria ‘Design’
Balanço a bordo
A Dedon, definitivamente, está em todos os lugares chics do planeta. Não em qualquer esquina, mas com certeza nos cantinhos mais bacanas e exclusivos. Na minha última trip, comprovei isso tanto em vitrines bacanudas de Malta, Roma e Milão, quanto em alto mar. Ainda outro dia comentei com Liliana e Lili Tuneu (as donas do grupo Collectania, detentor da marca alemã no Brasil), que o Yacht Club do MSC Splendida, um dos maiores navios mundo, foi decorado com dezenas de exemplares da chaise folha, uma das minhas peças preferidas, enfileiradas em sequência. Luxo pouco é bobagem!
E agora acabo de receber uma novidade quente da grife. Olha que máximo essa “casinha de sentar” projetada pelos designers Daniel Pouzet e Fred Frety. Inspirado no ninho de um passarinho, o móvel está disponível na versões pendente e com base de chão, com trançado super resistente em fibra sintética de 4 centímetros de espessura. Dá pra pendurar tanto na sua varanda quanto no galho de uma árvore do jardim – caso você tenha um, o que não é o meu caso.
Com as asinhas de fora
E como já contei aqui, semana passada dei um rasante lá no Design OK, evento bacanérrimo que aglomera a produção mais fresh do nosso design para reverberar nos quatro cantos do país – e além das fronteiras também, é claro. E foi ótimo reencontrar amigos como Sergio Fahrer, que eu não via há um tempão.
É dele a mesa que ilustra o post do dia. “Estava na Patagônia, observando as gaivotas, e fiquei impressionado com a envergadura das asas e com o movimento de dobradura que elas fazem antes da aterrissagem”, contou-me.
Criada em parceria com o irmão Jack, a Gaivota é o carro-chefe de uma coleção composta por 10 peças que se destacam pela leveza do desenho, linhas orgânicas e desafios estruturais. As chapas de madeira curva, por exemplo, são certificadas pelo Forest Stewardship Council. “Não dá mais para não pensar nisso, arremata”.
A mulher por trás de Le Corbusier
Pode até ser distração, mas nunca associei automaticamente o nome Charlotte Perriand (1903-1999) ao de Le Corbusier (mesmo conhecendo a sua biografia e tendo escrito sobre ela zilhões de vezes). Talvez pelo fato de ter trabalhado com dois punhados de fãs da designer francesa, mais a minha assumida quedinha por curvas, não deixei nada e nem ninguém sombrear a força do seu trabalho na minha cabeça – nem mesmo o kaiser modernista.
Hoje, lendo o excelente artigo do Silas Martí na Folha, a ficha voltou a cair: Charlotte foi oficialmente a designer de Le Corbu, sim. E mais do que ofuscações, reside aí um mérito tão legítimo quanto os contornos voluptuosos da sua chaise mais famosa – ou as retas labirínticas daquela sua estante saturada de nichos.
Era dela, de Perriand, o recheio do bolo, o décor de tantas casas notáveis que o mestre traçou. Na seleção dia, uma degustação dessas peças notáveis. Mas ainda é pouco…
A Escola da Cidade e a Universidade alemã Hochschule Konstanz trazem para o Brasil a exposição “résonance* _Charlotte Perriand e suas marcas no Brasil”, até 17 de dezembro.
Por lá, os cenários da vida da artista são reproduzidos em peças de papelão – até os caixotes que armazenam os objetos são reaproveitados como cenários e servem de suporte para os equipamentos de vídeo, que exibem o filme “Diário de uma exposição”, com depoimentos dos estudantes da Universidade alemã envolvidos no projeto. Imperdível.
Efeito Dominó
Claudia Moreira Salles, uma das designers mais poderosas (embora low profile) de recônditos brasileiros, dá uma cartada de mestre com este banco Dominó. Feito com sarrafos de madeira maciça, a peça tem oito concavidades talhadas manualmente – dá para imaginar algo mais ergonômico para acomodar a retaguarda? A peça é só a pontinha de um iceberg que brota com tudo hoje à noite (17/11), quando a Dpot lança oficialmente, a coleção “Imaginários” – desenvolvida por um grande elenco de designers sob a batuta da diva Baba Vacaro.
A festança, que rola no Mube, marca uma ação inédita que celebra a criatividade brasuca com direito a todos os holofotes midiáticos. Parceria entre a GNT e a loja, o documentário Casa Brasileira, que estreia em dezembro no canal a cabo, tem direção de Alberto Renault, com roteiro da própria Baba. Melhor ficar de olho, já que o babado promete desencadear uma série de outras boas novas para o planeta decorex (que, vamos combinar, nunca esteve tão aquecido).
So Fabulous
Chiqueria pouca é bobagem. Sabe quem desenhou esse sofazão “egonomicamente” batizado de So Fabulous? Ele, é claro, o rei do estilo e do trocadilho, Monsieur Fabrizio Rollo, meu ex-vizinho de mesa e eterno midas decorete (de quem morro de saudades).
Com estrutura de madeira revestida de aço inox e acabamento em couro verde “jaguar”, a peça é lançamento quentíssimo da OfficceForm, marca catarinense super up-to-date que convidou os designers André Bastos e Guilherme Leite Ribeiro para assinar a curadoria da nova coleção, inspirada em Nova York e Xangai.
Não sei exatamente em qual das megalópoles o nosso Fabuloso Rollo se inspirou, mas que a coisa ficou cosmopolita, ninguém pode negar.
Da janela lateral
Luciana Martins e Gerson de Oliveira, os designers da Ovo, são imbatíveis no quesito inventividade. Laterais, nova coleção da marca, traduz bem o conceito de sustentabilidade e vanguarda que entra como principal ingrediente no omelete da dupla. Recortadas em processo digital, as placas de madeira residual dos braços das poltronas e das cadeiras, são reaproveitadas como tampos das mesinhas de apoio, com bases mutantes que podem ser configuradas ao gosto do freguês. Juntas, deixam claro o processo de construção; separadas, causam impacto pelo visual escultórico.
Ovo, R. Gomes de Carvalho, 830 | São Paulo | tel.: (11) 3045-0309 | ovo.art.br
Pin Up
Uma das usinas mais prolíficas de móveis corporativos, a Alberflex investe em ícones do design italiano para deixar o visual do escritório mais moderninho.
Cria do estúdio Infiniti, a cadeira Pin Up tem formas livres desenvolvidas em poliuretano macio, a partir de uma base de aço cromado – um disco giratório que permite ir pra cá e pra lá só com o impulso do corpo.
Interurbano
Conheci o trabalho do designer espanhol Jaime Hayon há algum tempo, via Salone del Mobile. Confesso que, apesar de todo o burburinho ao redor dele, torcia o nariz. Na época, ele me chamou mais a atenção pela extravagância das criações do que pela genialidade do traço propriamente dita (lembro de uma poltrona com espaldar gritante em forma de dômus que remetia ao bom e velho Orelhão. Você teria um sofá com cara de cabine telefônica na sua casa? Eu, não…). Mas estava enganado a respeito das boas intenções do artista.
Nos últimos dois anos vi peças superbacanas do cara, desde colaborações para marcas fashion (tipo Benetton e Adidas), até viagens malucas mas possíveis – na minha última trip vi uma peça linda dele numa loja milanesa, mas a dona foi tão antipática que me recuso a promovê-la no meu puxadinho virtual.
Mas dá para ilustrar o post com esta peça tubular que eu pesquei lá no Dezeen. O perfume lúdico está ali, com toda pompa e circunstância de fábula encantada, mas o equilíbrio entre forma e função é mais do que bem resolvido. Diz ele que a inspiração foi a indefectível Club Chair inglesa. Mas que ficou com um jeitão da Egg do Arne Jacobsen, ah, isso ficou.
Dá uma espiada no site do cara e me diz se não é o máximo: studiohayon.com (só não vale gostar do Orelhão…)
Chaser
Adoro quase tudo o que é redondo – qualquer semelhança é mera coincidência, ok? E o designer australiano Brodie Neill, pelo visto, também se amarra num gorducho. Com chapas de aço ou malhas aramadas, superfícies lisas ou vazadas, ele disseca toda e qualquer possibilidade elíptica em poltronas e luminárias de silhueta rotundamente avantajada.
Da nova safra, destaquei duas peças que fariam o maior sucesso lá em casa (tanto na minha, quanto na sua): a Reverb Wire (esse globo leve que nos remete aos trançados metálicos de Harry Bertoia); e a Chrome, estrutura única onde o círculo se projeta para compor apoio, assento e espaldar. Lindo de morrer, né? O mundo, definitivamente, é redondinho, redondinho.
Ponte
Yves Behar não precisou ir muito longe para achar a inspiração da sua última cadeira. O designer que sempre paquerou a Golden Gate da janela de sua casa, em São Francisco, EUA, foi à luta e desenhou a coleção Sayl Chairs, com espaldar que remete à ponte. Trata-se do primeiro modelo do gênero feito com suspensão completa, sem nenhum tipo de armação, com encosto de tecidos tensionados. Um toque de poesia no mobiliário corporativo (que também pode funcionar no seu home office), lançado com exclusividade pela Herman Miller.













