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Mais do mesmo, de novo

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Roberto Migotto com direito a samambaias e borboletas

A estréia oficial é hoje, mas como eu já contei, sábado rolou o brunch de apresentação de imprensa da 22ª Casa Cor São Paulo, o maior evento do segmento na América Latina. Brecha no frio patagônico que assolou Sampa nos últimos dias, a manhã ensolarada obrigou o povo a carregar os casacos na mão – quem não quis levar os minks a tiracolo (sim, a peruada estava em peso por lá, em pleno meio-dia), fez de conta que o calor não existia e ficou tudo certo.

Me lembrei de um comentário que a Nazaré Rezende fez sobre as primeiras edições, duas décadas atrás, quando os convites eram disputados a tapa e o povo tirava o black-tie do armário: “Era puro glamour”. Mas naquela época nem havia o tal brunch de imprensa, que rola na véspera da festança oficial de abertura…

Trajeto confuso, organização mambembe (imagine você que eu tive que encostar o carro na calçada, deixar o pisca-alerta ligado, descer, pegar a credencial, dar meia-volta e só então poder gozar dos vallets) e o roteiro de sempre, mas alguma expectativa no ar.

“Casa do Golf”, de Dado Castelo Branco

Para começar, impossível não passar 10 vezes pelo mesmo espaço, ainda que com o help do mapinha simpático que a gente ganha na entrada – nem GPS desataria o nó cego da circulação.

As boas-vindas do tour começam com o social na porta, onde cruzamos de cara com amigos queridos (muitos, graças a Deus), assessoras de imprensa (tem gente que reclama, mas eu não vivo sem elas), colegas de outros veículos (rivalidade é uma tolice, já que tem mercado pra todo mundo), muitos tipos fazendo carão e outros tantos profissionais exaustos com a labuta severa dos últimos dias. Meu grupinho é beleza pura, o que deixa a trip mais animada: André Rodrigues (my love is your love, companheiro até dessas horas), Matheus Evangelista, assistente dele (este sim a trabalho, na cobertura para o site do SPFW), e a chiquérrima Judith Pottecher (jornalista e consultora de estilo metade baiana, metade francesa, darling com quem cruzamos logo na linha de chegada e não desgrudamos mais).

“Estar com Mirante” por João Armentano

Matheus, mais íntimo das coisas da moda do que das coisas da casa, me pergunta quem são os bambambãs. Esboço um “top 10” de leve, mas encorajo-o a colher suas próprias impressões para discutirmos depois.

Aqui e acolá, muitas fofocas dos dias anteriores reverberam pelos bastidores, que este ano parecem ter ardido mais do que em qualquer outro, inclusive com a denúncia de racismo contra uma famosa arquiteta (quase tão conhecida por seus chiliques quanto pelo seu trabalho).

No geral, pouca coisa chama mais a atenção do que os comentários espirituosos da tchurma. É preciso concentração para não perder o foco.

Fila para o ambiente de João Armentano, um dos popstars. Mal dava pra ver o espaço dele, por conta do assédio. Melhor voltar depois, já que o sofazão de Zaha Hadid sinaliza seleção plugada.

“Hall de Entrada”, por Fabrizio Rollo

Alguns passinhos adiante, o show continua: brinquedoteca tipo cubo-mágico, interessante por fora – um tanto quanto perigosa por dentro, com tantas pontas e materiais inacabados; hall de entrada by Fabrizio Rollo (o melhor da festa, como eu já disse, assumindo a suspeita do comentário e a minha profunda admiração por este cara notável); a casa da árvore (também já mencionada); lofts para solteiro, casado, enrolado, tico-tico-no-fubá; salas de jantar, de almoço, de café da manhã, de lanche, de aperitivo e de dieta; cozinhas gourmets, da tia Anastácia, industriais, de bistrô e de restô; copas, ás de copas, reis de espadas; saunas seca e a vapor; spas diets, lights e calóricos; corredores, acessos, circulações, obstáculos; ambientes com nomes inacreditáveis e funções dispensáveis. No geral, mais do mesmo, de novo, salvas poucas exceções.

“Living” por Ana Maria G. de Vieira Santos

Como se a “fórmula secreta” fosse redescoberta a cada nova temporada, a dobradinha que se convencionou chamar de “clássico-contemporânea” domina geral. Logo, a mostra em si não revela muitas novidades, ao contrário: têm-se a impressão de que a edição é uma releitura do que rolou no ano passado (tudo bem que nosso setor não seja tão cíclico e renovável como o são as indústrias da moda e das artes, por exemplo, mas nada justifica ficar estacionado no tempo e no espaço, à espera de Godot).

“Lounge da Bossa Nova” por Débora Aguiar

Não que isso comprometa o prestígio do evento, a badalação ao seu redor e tudo o que ele representa: de longe, a Casa Cor continua confirmando o seu status de grande vitrine do décor, a expressão máxima do setor por essas bandas, torçamos o nariz ou não. E, ao grande público, costuma agradar.

Quase todo mundo com quem eu trombo na jornada lamenta os looks. Contemporizo com a minha tribo, filosofando sobre o esforço dos participantes. Fazer Casa Cor é tarefa hercúlea. Primeiro porquê no atual mercado da decoração não há espaço para a ousadia – se a crise assola até a máquina de Milão, imagine nossas modestas pradarias tupiniquins… Sem nenhum ranso pernóstico, até porquê eu, coitadinho, tô bem longe de ser quatrocentão ou algo parecido com isso (sou apenas mais uma luneta neste grande observatório, alguém em franco processo de apreciação), registro aqui minha humilde constatação: é verdade sim que o dinheiro mudou de mãos e o que está na moda hoje acaba virando objeto de desejo da coletividade, mesmo que sem muito valor cultural, sem muita pesquisa, sem muito histórico, sem nenhuma profundidade. Se isso acontece na música e na moda, porquê não aconteceria também na decoração? Saem de cena as referências intelecto-estéticas, entram com tudo os elementos que são de fácil assimilação: o luxo da vez, o móvel da vez, o designer da vez, o movimento da vez, as cores da vez, o artista da vez… E sente-se falta de profissionais que, desta vez, passaram a vez (não contamos este ano com a classe de Sig Bergamin ou com a virtuose de Marcelo Rosembaum, por exemplo).

“Loft 24/7” por Fernanda Marques

Segundo argumento de defesa deste advogado do diabo que vos escreve em paradoxal mea culpa: como cobrar mais criatividade dessas pranchetas se o que viabiliza os projetos (leia-se as participações) são justamente as parcerias comerciais, os patrocinadores que devem “aparecer” nos espaços?

Se esse “mecenato” é ao mesmo tempo um elemento vetor do processo criativo, como parece ser o caso, vale dar um crédito de 50% do padrão apresentado. A outra porcentagem? Descontemos do extrato residual entre razão e emoção: quem dá a cara para bater na Casa Cor quer mais (e precisa muito) é vender seu peixe, ser aceito no mercado, arrebentar de vender. E que mal tem isso? “Nós, arquitetos, projetamos espaços para os clientes habitarem, não para nós mesmos”, ouvi de um amigo certa vez – e concordei.

“Casa Dourada” por Brunete Fraccaroli

Pena que, com tanta grana envolvida, não se invistam em novos talentos, em pavilhões-satélite, em mostras paralelas de design, em projetos mais conceituais. Não seria maravilhoso equalizar as necessidades mercadológicas com a verve dos nossos criadores? Será que alguém se preocupa com toda essa minha confabulação acerca do tema?

Para resumir a ópera, as imagens do dia são meio que o tal top 10 que fechei com o Matheus no final da mostra. É uma compilação pessoal daquilo que achei de mais legal por lá.

Olegário Sá e Gilberto Cioni com o seu home-rústico

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Written by AllexInCasa

maio 20, 2008 às 11:37 pm

Publicado em Sem categoria

4 Respostas

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  1. Só o Allex com dois L para salvar essa Casa Cor. Valeu garoto! te espero no meu site.

    Jordano

    maio 22, 2008 at 12:24 am

  2. Dado Branco e Fabricio na cabeça. Mas ja vi coisas melhores do Migoto

    maio 22, 2008 at 12:10 pm

  3. A Débora Aguiar sempre arrasa!!
    Bjss
    Denise

    Denise

    maio 22, 2008 at 7:35 pm

  4. até que enfim uma critica inteligente sobre a casa cor. parabens.

    Gorete

    maio 26, 2008 at 1:53 pm


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