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Archive for julho 2008

Segredos de liquidação

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Na semana passada a minha mãe – e um anúncio na televisão – me convenceram a dar um pulo na tal “Villa” de uma famosa marca de móveis (na verdade, um depósito de fábrica metido a besta) – não vou dizer o nome aqui porquê vai parecer ranço de jornalista revoltado, e eu juro que não é. Como estava à caça de um joguinho de sofás de fibra para botar na varanda da mommy, resolvi ceder aos apelos (dela e da propaganda, que davam conta de “um saldão com até 70% de desconto”) e me deslocar até a referida arapuca, em algum quilômetro perdido da Raposo Tavares.

Mesmo desconfiado – e ignorando os apelos do Anselmo (arquiteto e big brother de plantão), que ameaçou nunca mais olhar na minha cara se eu insistisse no programa – , confesso que fiquei chocado com o que encontrei por lá: móveis padrão superpop (no sentido mais feio desta palavrinha composta que eu amo), de desenho ultra-equivocado e matéria-prima suspeita, pseudo-modernex, a preços mais pomposos que os da Gabriel – sim, porquê eu já comprei cadeiras de design nos Jardins pela metade do preço “promocional” que os caras estavam tentando enfiar goela abaixo das infelizes vítimas atraídas para a ratoeira.

O episódio me fez refletir, um tanto irritado, sobre essa inflação do mercado mobiliário e a tendência de alguns fabricantes acharem que aquilo que fazem é mobília de alto padrão sem investir em tecnologia, pesquisa, design, qualidade e apresentação (ambientação bem produzida é tudo). Ok, ok: bom gosto é subjetivo e cada um compra aquilo que quer. Minhas ressalvas são quanto a vender o gato pela lebre. Veja as casas Bahia, do Seu Samuca, por exemplo: conquistaram a preferência da massa sem nunca pretender ser aquilo que não são. O padrão Bartira está lá, para quem quiser levar, atendendo à audiência sem posar de look milanês, com um carnê que todo mundo sabe que dura tanto quanto as portas de compensado. Ninguém fala que aquilo é móvel para a vida inteira. Sylvia-Design-Mulé-Gato, que aparece na tv vendendo seu sofazinho pop bem-feitinho (tem gente que gosta e ela sabe disso), até brinca que as ofertas “chiques no último” do seu “cafofo”, com a primeira parcela “só pra janeiro”, vão ajudá-la a comprar um fusca novo. Acho a figura genial, diga-se de passagem.

E a Etna foi outra que me enganou com promessas vãs de descontos eternos. Cara, eles vendem como “superliquidação” e “bota-fora” peças que, se comparadas aos preços originais, soam quase como uma zombaria. Também não rolou!

Se a minha saga teve final feliz? Ô, se teve. Acabei comprando o tal jogo (de junco de verdade, feito por artesãos de verdade) em Pinheiros, numa loja tradicional que realmente tava nos 50% off. Foi caro mesmo assim (e não deu pra parcelar em 30x), mas pelo menos é móvel para um bom tempo – talvez pelo resto da vida. Só não conto o nome da loja aqui para não parecer jabá…

E por falar em Dona Sylvia e Mulher Gato (e considerando a dificuldade de ilustrar o assunto abordado), olha só esses prendedores do Homem-Morcego que o Richard, diretor de arte da Vogue RG, me mostrou. Achei quase tão engraçado quanto a coluninha do Simão na Folha, contando sobre o “Batmãe”. Christian Bale, que interpreta o herói no cinema, foi acusado de agredir a própria mãe semana passada. Na Serafina do último domingo, Barbara Gancia contou o outro lado do babado: a mãe do Batman 2008 o largou ao Deus-dará na infância e reapareceu agora, pedindo U$ 200 mil emprestados. Merecia ou não merecia uns tabefes? Quem quiser os prendedores para pendurar a cueca no Halloween, é só procurar por aí, porquê eles já são febre. E quem reclamar do post no sense de hoje, leia novamente o de ontem, sobre a produção pop-cult, e o de amanhã, sobre a subjetividade da arte e o meu passeio ao MAM, no melhor estilo “Visitando Monsieur Duchamp”. Me aguarde!

Written by AllexInCasa

julho 31, 2008 at 12:20 pm

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Profissão Grafiteiro

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Alguém aí assistiu o Profissão Repórter ontem? À caça dos “mistérios do mundo subterrâneo”, a molecadinha esperta do Caco Barcellos deu com o Zezão grafitando uma galeria de esgoto em algum canal enterrado na paulicéia desvairada… Baratas à parte (argh!), muito legal ver um totem dessa tribo batuta emergindo à superfície, com direito a boom na Globo, capa da última Revista da Folha, matérias especiais na Casa Vogue, na Bravo!, expos mundo afora e por aí vai.

Em missão-profissa, sexta-feira passada baixei de novo lá na Choque Cultural e notei que a galeria só fez melhorar com o tempo. Já faz quatro anos que eles abriram alas para a arte urbana na Paulicéia, convidando para entrar pela porta da frente diferentes expoentes da street art, originalmente uma cultura de protesto inspirada na clandestinidade dos muros barra-pesada lá do Bronx, nos EUA. Agora, depois que essas feras cresceram e ganharam eco em mostras nacionais e internacionais (como tá rolando agora no Santander Cultural e lá na Tate, de Londres), tá todo mundo de olho no traço deles – não à toa, o Kassab se redimiu com os osgemeos, convidando os meninos a redesenhar os muros apagados pela sua prefeitura desavisada. Sem falar naquele outro sujeito que pixou a Belas Artes para “discutir arte”: perdeu a vaga na facu, mas ganhou todos os holofotes na mídia.

Tocada por Baixo Ribeiro e sua esposa Mariana Martins (filha do Aldemir Martins, diga-se de passagem), junto com o sócio Eduardo Saretta, a Choque faz a cabeça dos moderninhos e atrai um contigente cada vez maior de críticos, colecionadores e consumidores, uma vez que democratiza o acesso à produção artística – com R$ 60 e algum faro, dá para sair de lá carregando um trabalho do balacobaco (meu consumo do dia, uma gravura ma-ra-vi-lho-sa by Rafael Highraff, saiu por parcos R$ 150).

O lugar é todo cult: uma casinha antiga de Pinheiros, com 150 metros quadrados divididos em três andares abarrotados de pôsteres, pinturas originais e gravuras de Speto, Zezão (agora global, rs), Titi Freak, Daniel Melim, Silvana Mello, Carlinhos Dias, entre outros tantos. A idéia é bombar a galera que agita o circuito, antenar os iniciados e situar os calouros no tempo e no espaço, com mostras relevantes. Como a expo Pop Revisitado, que rola por lá até o fim de agosto, com 20 trabalhos geniais do inglês Gerald Laing, 73 anos, decano da turminha de Andy Warhol e Roy Lichtenstein, que veio ao Brasil pela primeira vez. “Queremos mostrar que a Pop Art dos anos 60 tem tudo a ver com a Cultura Pop atual. Convidamos o Laing, um dos mais importantes artistas ingleses, para mostrar sua novíssima série. Contrapomos ainda uma coletiva de artistas jovens para mostrar o quanto os ideais daquela época e de hoje têm em comum”, diz o pessoal da Choque.

Laing, por exemplo, continua fiel à sua ideologia sessentista, quando pintava imagens reticuladas tal e qual na cultura dos quadrinhos, explorando temas como a Guerra do Vietnã e as curvas de Brigitte Bardot. O que se vê na Choque hoje é um Laing em plena forma, com pinceladas que retratam a Guerra do Iraque, a plástica de Kate Moss e outros temas atualíssimos. Cacofonias à parte, acho que a tela mais cara do cara orbitava na casa dos R$ 3 mil – sorte (ou revés) que o meu cartão tava estouradão, pq a tentação foi grande.

Nessa vibe de linkar ontem e hoje, as três primeiras imagens que abrem esse post são dos brasucas Nunca, Ise e Flip, editadas pela Tamara Emy, minha web designer do coração, antenadona com esse movimento. As outras, superpops, são do Laing. ‘Bora’ tomar choque!

Written by AllexInCasa

julho 30, 2008 at 7:39 pm

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Design Now

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Pirei quando vi a capa deste lançamento da Taschen (sempre ela!), compilação que traz o último grito do desenho mundial. Mais ecologicamente correto do que nunca, o book reúne os noventa bambambãs da cena contemporânea, como Ronan & Erwan Bouroullec, Ecotricity, Naoto Fukasawa, Zaha Hadid, Intelligent Energy, Jonathan Ive & Apple Design Team, LOT-EK, Ross Lovegrove, Marine Current Turbines, Jasper Morrison, Marc Newson, POC, Philips Design, Seymourpowell, Tokujin Yoshioka e por aí vai. O must-have é essa abordagem pró-meio ambiente, que alerta o povo que se liga em design sobre a tríade reduzir-reutilizar-reciclar, um fundamento tão relevante quanto as formas, volumes e texturas do produto final. Veja mais detalhes no site da editora Taschen.

Written by AllexInCasa

julho 29, 2008 at 1:38 pm

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Babel

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Enquanto a poluição na China continua borrifando uma nuvem de fumaça sobre a arquitetura nababesca dos prédios erguidos especialmente para as Olimpíadas que começam logo mais em agosto, Pequim corre atrás do prejuízo e tenta oxigenar a paisagem com jardins esculpidos por todos os lados. Como a terra de Mao é famosa pelo crescimento desenfreado com conseqüências funestas para o meio ambiente, a eco-people já tá acusando o governo de varrer a sujeira para debaixo do tapete de grama, enquanto os jogos correm soltos por lá. Veja e tire suas próprias conclusões acerca da Babilônia Olímpica.





Written by AllexInCasa

julho 29, 2008 at 1:27 pm

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Omelete

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Fragmentos da agenda cada vez mais internacional de Luciana Martins e Gerson de Oliveira, a clara e a gema por trás da Ovo Design (www.ovodesign.com.br): em agosto, inauguram um novo espaço no show-room e um ambiente no Max Haus Vila Leopoldina, com peças assinadas pela dupla em si, mais divisórias Soft, do estúdio canadense Molo; em setembro, participam da Experimenta Design, em Amsterdã, com uma obra comissionada pela mostra; em fevereiro de 2009, voam para o MoMA Store, de Nova York, para estrelar a coletiva Destinaton: Design. Tá?

No frigir dos ovos, ainda rola tempo para rabiscar novos desenhos. Da safra mais recente, pincei essas estruturas modulares ou seqüenciais, que estarão no mercado num estalar de dedos – ou de ovos.

Written by AllexInCasa

julho 25, 2008 at 12:10 pm

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Sinuca

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Em contrapartida ao tratado de ontem, lá vai um post lacônico (a vida por aqui tá dura), só para não deixar a audiência na mão: Balls Table com pés de bolinhas que o designer-maluco-beleza Bertjan Pot assinou para a Moooi. Com estrutura de resina e tampo de madeira, a peça está à venda na Micasa. Quem gostou – e tiver R$ 16 mil sobrando -, pode levar já!
😛

Written by AllexInCasa

julho 24, 2008 at 8:30 pm

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Na sala com Danuza

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Sou da tribo dos chatos com casa, daqueles que curtem manter tudo na ordem do dia. Fico meio psicopata quando vejo um livro fora do lugar e assumo, um tanto quanto envergonhado, outra neurose: às vezes dou um pause no meio do filme só para dar uma ajeitadinha em algum objeto da estante – ok, prometo trabalhar isso e me esforçar para ser uma pessoa melhor. Mas a minha casa é absolutamente de verdade, sem cenografias.

Tudo o que está lá pode ser usado, tocado, analisado, usufruído, deleitado e, eventualmente, até quebrado – um amigo já queimou uma almofada com cigarro, outra chutou uma cerâmica de estimação na minha minúscula varanda. Na hora dói um pouco, mas e daí? A prerrogativa básica de quem gosta de receber visitas (e eu adoro), é deixá-las bem à vonts. Afinal, de que vale ter um cafofo bacana se ele é intocável? E tem gente que leva a coisa tão a sério que chega às raias do freak.

Tem um texto bárbaro da Danuza Leão, publicado na primeira edição da Piauí (leia o original aqui), sobre sua visita ao apartamento do costureiro Guilherme Guimarães, o Guigui. Achei aquilo tão antológico que colei um post-it na página, para voltar lá algum dia. Ontem tava dando uma ajeitadinha básica no armário das revistas e dei de cara com a tal matéria. Li – e me diverti – tudo de novo. Tanto que resolvi reproduzir alguns trechos aqui (será que vão me processar?). Leia e, pleaaaaaaaaaaaaase, confabule a respeito:

“O apartamento fica no térreo de um edifício antigo (no Brasil, antigo quer dizer anos 50). Atravessamos uma porta pesada, viramos à esquerda e caímos numa contradição: uma saleta enorme – quando é sabido que as saletas, por definição, são pequenas. A salinha ficou grande porque há espelhos por todo lado, do chão ao teto, refletindo um lustre de cristal um pouco menor do que a catedral de Chartres, cortinas pesadas como mármore e um deslumbrante busto marroquino, de mármore de verdade. O andar de baixo tem 150 metros quadrados. Guilherme achou pouco e comprou o de cima, com 180 metros. Cada centímetro cúbico está ocupado por bibelôs, peças de antiguidade, objetos artísticos, adereços, cadeiras, almofadas, tapeçarias, biombos, estatuetas, cinzeiros, revistas, tapetes de zebra com rabo e tudo, pufes, poltronas forradas de pele de tigre, porta-retratos com fotos das maiores amigas do proprietário, estantes com livros encadernados em couro, vasos de todos os tamanhos e formatos, troços, coisas, trecos. Orgulhoso, ele nos mostra um pequeno tinteiro recoberto com couro de crocodilo negro do Nilo, e com estabilizador, para o caso de o navio balançar – foi do Titanic. Guilherme sabe de onde cada objeto veio, quando o comprou e onde o viu pela primeira vez. Ele aponta tudo, e, estranhamente, não nos convida a sentar. Parece um tanto aflito quando ameaçamos tocar em algo. Esclarece que é proibido sentar nos sofás e cadeiras, para não amassar as almofadas de plumas. Também não se bate a cinza nos cinzeiros, para não sujar. Uma de suas muitas loucuras é ter a casa arrumada em excesso, arrumadéssima, repleta de flores e com suas centenas de objetos no lugar certo. Se um deles estiver um centímetro mais para lá ou para cá, ele, enquanto conversa, dá uns passinhos curtos e o põe no ponto exato em que deveria estar. Aos amigos, serve Black Label, que ele faz o sacrifício de tomar, às vezes.Champagne, nem pensar.Se vir um pote de margarina na microcozinha, é capaz de ter um troço. Comida, em sua casa, sob nenhuma hipótese – e empregada também não. Luiz, o faxineiro, vai uma vez por semana fazer a limpeza, e é proibido de emitir qualquer som enquanto trabalha… (.) Seguimos para um restaurante das imediações… (.) Terminado o jantar, acha melhor pegar um táxi, apesar de estar a cem metros de casa. Seguimos juntos no táxi, que faz uma volta imensa, pois o prédio dele fica na contramão. A última surpresa: Guilherme manda o carro parar na frente do Hotel Glória. E nos informa, como se fosse a coisa mais natural do mundo, que nunca, nunca mesmo, dorme no apartamento. Ele tem uma suíte permanente no Glória, e sempre dorme nela quando está no Rio. ‘Faço como Mlle. Chanel, que morava na rue Cambon, mas dormia no Ritz.’ Meu palpite: dorme fora para não desarrumar a cama.”

Não é ótimo? Excêntrico sou eu!

Written by AllexInCasa

julho 23, 2008 at 6:17 pm

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