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Archive for fevereiro 2009

Jogo de cintura

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Tem novidade da Vitra na Micasa (www.micasa.com.br). Criada por ninguém menos que Le Corbusier, a fita Modulor é objeto de desejo entre arquitetos, decoretes e até fashionistas.

E senta que lá vem história: Pesquisada entre 1942 e 1948, a escala original da fita era uma medida lógica que tinha como base as proporções do corpo humano. Le Corbusier juntou essa fórmula à medida que considerava padrão: os princípios da razão áurea (também chamada de “proporção divina”, técnica que Leonardo da Vinci usava para pintar seus quadros) e mais a sequência de Fibonacci (função matemática encontrada em vários elementos da natureza, como no formato das conchas, no tamanho dos rios – dividindo o comprimento sinuoso pelo comprimento em linha reta). É dessa mistureba danada que surge a escala Modulor, que Le Corbusier usava em seus projetinhos.

Complexo? Nem esquenta, pois a quem interessar possa, a fita acompanha um manual prático com tudo explicadinho. E se liga no texto do box, assinado por Monsieur Corbusier em si: “No meu bolso eu tinha uma trena, que guardava numa caixinha de alumínio originalmente usada para filmes Kodak: essa caixa não saiu do meu bolso desde então. É bem comum as pessoas me verem em lugares improváveis tirando a trena para fazer uma verificação”.

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Written by AllexInCasa

fevereiro 19, 2009 at 5:02 pm

Publicado em Design

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Pau que nasce torto

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E como a vida imita a arte – e quem faz arte sempre abre alas -, taí um móvel que, à primeira vista, pode ser facilmente confundido com a eco-escola do Seu Fernando (leia mais aqui). Não é. Cria de Maria Eudóxia Mellão, o banco Tripé faz o look “torço mas não mordo” com aquele charme caro às coisas mais simples da vida. www.meudoxia.com.br

Written by AllexInCasa

fevereiro 18, 2009 at 4:32 pm

Raízes da Poesia

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Totalmente influenciado pelo post de ontem, acerca da influência natureba no design, continuo minha saga em busca da forma perfeita dentro dessa estética.

Sete anos atrás, em entrevista inesquecível a este blogueiro, Frans Krajcberg, artista polonês sobrevivente do holocausto, radicado no Brasil (mais precisamente na copa de uma árvore no sul da Bahia), me falou detalhadamente sobre os seus rompantes de fúria ao dar de cara com a ação predatória do homem na natureza, e de como esse ódio o motivou a denunciar desmatamentos e queimadas através de sua arte, reconhecida mundialmente.

Assim como Krajcberg, outros heróis da resistência se apropriam dos vestígios da natureza para reinventar usos a partir do residual. Sem levantar bandeiras explícitas (e sem nenhum glamour), mas com um legado que fala por si só, o Seu Fernando, lá da Ilha do Ferro, nas Alagoas, mandou o recado. Dedicou a maior parte dos seus 80 anos à cata de troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais. Pelas suas mãos, craibeiras, umuluguns e imburanas se converteram em utilitários (mesas, cadeiras, bancos) de efeito escultórico, bem à moda de Krajcberg.

Ali, às margens do São Francisco, Fernando Rodrigues dos Santos não dava bola para a fama de artista. Apenas trabalhava, sem nunca repetir o traço. Essa assimetria ajudou a despertar a atenção do mercado e sua obra foi razoavelmente comercializada. Com o sucesso, veio a fama de ecologista, para a qual também deu os ombros. Coisa de gênio.

O reconhecimento tardou, mas rolou: bem ali, no recôndito alagoano onde desfrutou toda a vida, fica o modesto museu em tributo à sua criação.

Poeta e conhecedor da genuína sabedoria popular, Seu Fernando não desenhava as peças futuras. “Era tudo feito de cabeça. Ele passava o dia calado, e do nada, se entregava a uma nova ideia”, relembra Rejania, sua filha. Prova de que o mestre artesão, falecido em janeiro deste ano, realmente sabia das coisas: uma de suas cadeiras estará na próxima edição da Art-Madrid, na Espanha.
Salve, salve Seu Fernando! info@cultura.al.gov.br

Written by AllexInCasa

fevereiro 17, 2009 at 2:19 pm

Resto de toco

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Pau, pedra e restos de toco podem ser um bom começo para mãos criativas. Por mais modernosa que seja a decoração, sempre vale esquentar a cena com detalhes rústicos, de apelo natureba, à moda de artistas como Hugo França, Petry, Fernando Rodrigues e outros caras que extraem matéria-prima e força criativa da natureza, sem sacrificá-la.

Olha só que luxo essa coleção Bleu Nature,  bolada pelo designer francês Frank Lefebvre. Os ingredientes básicos das  peças são resíduos naturais de floresta: troncos secos, galhos que flutuam no mar, madeiras petrificadas, pedras e outros “restos de toco”.

A linha sintetisa o encontro da supremacia técnica do crafitismo francês com o produto natural, resultando em obras únicas em suas dimensões e formas. Note como materiais tecnológicos e antagônicos, como metais e tecidos, casam direitinho com as bases toscas.

Com exclusividade na PuntoLuce (www.puntoluce.com.br)

Written by AllexInCasa

fevereiro 16, 2009 at 4:58 pm

Le freak?

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Arquiteta “andarilha” com olho clínico para mobília, Marcia Perasso tem um pé no Brasil e outro no mundo. Em 1.999, criou a Chandeliers & Cia, marca de lustres e acessórios com design exclusivo, diferentão.

Nas últimas temporadas, participou de todas as feiras do circuito, como Atlanta Gift Fair, High Point, New York, Las Vegas e Dubai (onde representa empresas como Dominici, Archela, Elisa Lobo), conheceu um número sem fim de novos fazedores de móveis e, empreendedora que só, tá trazendo para cá nomes quentes made in Tailândia, Indonésia e outras paradas.

Em comum na compilação, móveis “arrojados”, com identidade cultural (ela sempre leva em conta os materiais nativos) e o shape exótico.

Em breve, as peças “curadas” por ela estrelam na Conceito Firma Casa. Vinga ou não vinga?

Written by AllexInCasa

fevereiro 13, 2009 at 12:06 pm

Deu na Wallpaper!

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E a descoladíssima Wallpaper, bíblia das tendências fashion+arts+decor mundo afora, acaba de lançar a sua já tradicional edição com os melhores do ano.

Pela quinta temporada consecutiva, a revista inglesa abre fevereiro de 2009 com a lista dourada dos melhores de 2008, em categorias tão antagônicas que vão desde os acessórios masculinos mais batutas à melhor mobília da casa.

Por questões éticas, não posso debulhar aqui o conteúdo na íntegra, mas tomei a liberdade de arrancar algumas páginas para vocês. Dica de design-maníaco: vale a pena investir alguns dólares no seu exemplar.

Written by AllexInCasa

fevereiro 9, 2009 at 5:33 pm

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Cobra criada

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O último bote de Ingo Maurer (www.ingomaurer.com), o papa da luminotécnica contemporânea, atende pelo nome de “Alizz.Cooper”. Nada a ver com o heavy metal de Alice Cooper (ou, tudo a ver com ele, se você quiser, considerando a pegada hard da peçonhenta).

Composta por uma loooonga haste flexível (que pode funcionar como luminária pendente, de mesa ou de chão) serpenteada com leds super-potentes na cabeça, a rastejante foi inspirada naquelas mangueiras de jardim.

Por enquanto, é só um protótipo apresentado na Estocolmo Design Week (quando é que vamos ter um Sampa Design Week, hein Taissa Buescu?), mas tem tudo para vingar em escala industrial, considerando o cobra que assina.

A peça é bem divertida e funcional mas, cá entre nós, não é nenhuma novidade, né? Quem acompanha o blog, já viu coisa parecida made in Brasil. Lembram do Fernando Prado? Sssssssssssssss!

Written by AllexInCasa

fevereiro 6, 2009 at 3:09 pm