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Raízes da Poesia

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Totalmente influenciado pelo post de ontem, acerca da influência natureba no design, continuo minha saga em busca da forma perfeita dentro dessa estética.

Sete anos atrás, em entrevista inesquecível a este blogueiro, Frans Krajcberg, artista polonês sobrevivente do holocausto, radicado no Brasil (mais precisamente na copa de uma árvore no sul da Bahia), me falou detalhadamente sobre os seus rompantes de fúria ao dar de cara com a ação predatória do homem na natureza, e de como esse ódio o motivou a denunciar desmatamentos e queimadas através de sua arte, reconhecida mundialmente.

Assim como Krajcberg, outros heróis da resistência se apropriam dos vestígios da natureza para reinventar usos a partir do residual. Sem levantar bandeiras explícitas (e sem nenhum glamour), mas com um legado que fala por si só, o Seu Fernando, lá da Ilha do Ferro, nas Alagoas, mandou o recado. Dedicou a maior parte dos seus 80 anos à cata de troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais. Pelas suas mãos, craibeiras, umuluguns e imburanas se converteram em utilitários (mesas, cadeiras, bancos) de efeito escultórico, bem à moda de Krajcberg.

Ali, às margens do São Francisco, Fernando Rodrigues dos Santos não dava bola para a fama de artista. Apenas trabalhava, sem nunca repetir o traço. Essa assimetria ajudou a despertar a atenção do mercado e sua obra foi razoavelmente comercializada. Com o sucesso, veio a fama de ecologista, para a qual também deu os ombros. Coisa de gênio.

O reconhecimento tardou, mas rolou: bem ali, no recôndito alagoano onde desfrutou toda a vida, fica o modesto museu em tributo à sua criação.

Poeta e conhecedor da genuína sabedoria popular, Seu Fernando não desenhava as peças futuras. “Era tudo feito de cabeça. Ele passava o dia calado, e do nada, se entregava a uma nova ideia”, relembra Rejania, sua filha. Prova de que o mestre artesão, falecido em janeiro deste ano, realmente sabia das coisas: uma de suas cadeiras estará na próxima edição da Art-Madrid, na Espanha.
Salve, salve Seu Fernando! info@cultura.al.gov.br

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Written by AllexInCasa

fevereiro 17, 2009 às 2:19 pm

6 Respostas

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  1. lindo !!!!!!!!!!!!

    rodrigo almeida

    fevereiro 18, 2009 at 3:18 pm

  2. bela matéria

    Antenor

    fevereiro 18, 2009 at 6:36 pm

  3. Linda matéria Allex,
    é de encher os olhos e também o coracao, que pena que tenha morrido….que pena…..saber da história de pessoas como Seu Fernando fazem toda a diferenca, com certeza Seu Fernando é uma daquelas pessoas que nos rouba as palavras e nos deixam pasmos. Nos pergutamos como pode? Ao mesmo tempo que faz nos sentir pequenos é uma maravilhosa fonte inspirradora.

    Estê

    fevereiro 19, 2009 at 1:31 am

  4. Conheci seu Fernando no fim, de 2007, na Ilha do Ferro. Um artista incrível, com uma obra emocionante. Adorei a matéria. Parabéns!

    Carol Vasconcelos

    março 15, 2009 at 3:01 pm

  5. […] Provavelmente o Kanye não saiba que bem antes do coreano, no Brasil, logo ali nas Alagoas, um artesão conhecido como Seu Fernando já juntava troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais, para esculpir mesas, cadeiras e bancos de efeito mimético (bloguei a história dele há alguns meses). […]

  6. adorei a matéria sobre o seu fernando ele era incrivel. eu o conheci pessoalmente. gostaria se possivel q vc postasse uma reportagem sobre seu nivaldo o mestre da canoa de tolda. q também era do mesmo local.

    cleonice

    outubro 3, 2009 at 6:15 pm


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