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Archive for julho 2009

Guerra dos Mundos

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Não agüento mais a palavra sustentabilidade – o verbete é tão exaustivamente aplicado, que quem realmente leva a coisa a sério chega a ficar com as bochechas mais coradas do que uma maçã do amor ao se deparar com tanto emprego indevido. Sabe aquela coisa de vergonha alheia? Pois é: eu tenho. Venhamos e convenhamos que responsabilidade ambiental já não era mais uma questão de opção, desde que eu nasci, lá na segunda metade da década de 70. Imagine agora, mais de 30 anos depois, com a camada de ozônio pedindo arrego, as matas cada vez mais anorexas, as águas minguando e a bicharada virando excentricidade em museu… Quem não é sustentável deveria ser banido do mercado – e do planeta. Ponto. A conversa aí em cima introduz uma tendência que não é nenhuma novidade no design, mas que vive dias de revival neste terceiro milênio de “verdades inconvenientes” (alguém aí viu o filme do Al Gore?), quando quase todas as possibilidades de forma e conteúdo foram drenadas do imaginário e os recursos se esgotam a passos largos: a biomímica ou biomimetismo (imitação das formas e funções da natureza).

No site do SPFW, o über-editor, über-antenado e über-amado André Rodrigues fez uma aposta no trabalho do designer coreano Chul An Kwak, autor dessas mesas que simulam os tentáculos de um polvo (embora o criador afirme que a inspiração real são os cavalos de corrida). A ideia de ter um móvel de look alienígena, que parece que vai sair correndo atrás da gente a qualquer momento, é um tanto quanto aflitiva. Mas a peça tem lá sua genialidade, ninguém pode negar. O fato é que Chul An Kwak tá ganhando a cena além das fronteiras de sua Seoul, caindo como um boné no gosto, digamos, meio extravagante, dos rappers. Sabe quem é o maior cliente do cara? Kanye West.


Lulalá: parece um polvo, mas não é.  As mesas do designer coreano Chul An Kwak usa tentáculos de madeira nos pés

Provavelmente o Kanye não saiba que bem antes do coreano, no Brasil, logo ali nas Alagoas, um artesão conhecido como Seu Fernando já juntava troncos desmatados, raízes trançadas, tocos retorcidos, galhos secos, madeiras desprezadas e que tais, para esculpir mesas, cadeiras e bancos de efeito mimético (bloguei a história dele há alguns meses).


Resto de toco: banquinho mimético do Seu Fernando, artesão lendário da Ilha do Ferro, falecido recentemente

Talvez pelo charme brejeiro da nossa geografia, detentora de uma das naturezas mais exuberantes do mundo, a tropicália combine tanto com a estética alien-brüt (mais natureba do que marciana, no caso dos tupiniquins). Seja nas culturas caiçaras, caipiras ou urbanas desses brasis, a biomímica sempre teve espaço por aqui, com seus inúmeros sotaques. O banco assinado pela paisagista Renata Tilli (nu e cru, feito por uma artista que não é designer, mas que lida com plantas) e a luminária da Puntoluce (simbiose entre aspereza orgânica e luxo refinado) são dois exemplos categóricos.


Natureba em duas versões nada marcianas: o abajur de tronco rústico encontra a finesse da cúpula contemporânea by Puntoluce; a cadeira de galhos secos é criação da paisagista Renata Tilli

Clássicos da mesma escola (dissecados muitas vezes neste blog), Hugo França e Pedro Petry alimentam uma produção que se apropria dos resíduos florestais desprezados pelo homem, interferindo minimamente neles.  Julia Krantz (uma das minhas prediletas) acompanha a toada, com seu belo traço em busca do efeito in natura.


Brasileirinho: bowls de Pedro Petry, banco de Hugo França (no alto) e namoradeira de Julia Krantz

Em tempos de globalização imediata, o estilo se expande sem limites geográficos. Os europeus (principalmente os ingleses e franceses), em todas as épocas, se apropriaram da natureza para enfeitar sua mobília, a exemplo da escrivaninha garimpada por Juliana Benfatti, em Londres. Do mesmo fog, o sangue-novo Peter Marigold, formado pelo Royal College of Art, ataca com tudo no handmade, com o máximo cuidado para manter a madeira o mais natural possível, lidando com formas assimétricas e  tirando partido da irregularidade como ponto alto, caso da estante Split.


London, London: escrivaninha inglesa garimpada por Juliana Benfatti e estante irregular do designer londrino Peter Marigold, com galhos secos

O espanhol Nacho Carbonell, outro nome quente no panorama atual, obcecado pela luta contra o consumismo e desperdício desenfreados, só constrói suas invenções com material eco-friendly. E leva o conceito às últimas consequências, produzindo obras que chegam a incomodar, de tão uterinas: “Vejo as minhas criações como organismos vivos, capazes de surpreender com seu comportamento, que interage com o ser humano”, contou em entrevista à Taissa Buesco, para Casa Vogue. Com tempero surrealista, uma de suas mobílias mais polêmicas parece um ninho de joão-de-barro ou coisa que o valha. E assusta os incautos!


Volta ao ninho: criações do espanhol Nacho Carbonell. As cadeiras parecem o ninho do joão-de-barro, enquanto o sofá se enche de ar quando a gente senta, levantando o galho e dando a sensação de companhia

Na outra ponta da corda, com uma matéria bem mais obediente ao manuseio, a argila, o norte-americano Peter Lane faz vasos, luminárias, móveis e outros objetos  inspirados em lavas vulcânicas, colmeias de abelha, barro rachado, formações glaciais, frutas, flores, bichos. Com sua  técnica de queima guardada a sete chaves, o ceramista explora esse efeito petrificado, que lembra esculturas nas rochas.


Terra do nunca: mimetismo petrificado nas cerâmicas de Peter Lane

Sintética na matéria, mas absolutamente mimética no look, a poltrona Anêmona, uma das peças mais manjadas do portfólio dos big brothers Campana, causaria espanto aos americanos que caíram no maior trote da história, armado por Orson Welles naquela transmissão de rádio em que ele alertava o mundo sobre uma invasão de extra-terrestres. Com materiais quase ordinários, repaginados em shape sci- fi glamouroso, a cadeira também parece prestes a nos engolir. Mais mimético, impossível.


Cloverfield: com seu jeito simpático de monstrengo marinho, a poltrona Anêmona, dos big brothers Campana, faz a mímese no shape, com material sintético

Decodificado

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Hoje fui lá na COD (Creative Original Design), a loja que ocupa aquele prédio classudão projetado por Paulo Mendes da Rocha na avenida Cidade Jardim, onde a Forma fez e aconteceu nos últimos 50 anos. Sim, o endereço continua lindo – e bem cuidado –  nas mãos da nova marca, incluindo no que se refere a demanda com selo Made in Brazil, como as criações descoladas do Wagner Archela – o cara que me levou lá para apresentar o esquema, inclusive. Enquanto não mostro as últimas do Archela, separei duas peças especiais do Pedro Useche.

A primeira é este carrinho de chá simplérrimo  (exatamente por isso, ultra-elegante), que borrifa um sopro de modernidade sobre uma forma já clássica, de apelo bem brasuca.

O cabideiro, também compatriota, faz menção honrosa às natureza com seu jeitão de galho seco (ou seria uma antena das civilizações pré-tv a cabo?) . Seja lá o que for, a peça se enquadra  no último grito do design, que pede simbiose entre mimetismo + look alienígena (aguarde post sobre o tema amanhã).

Grande vitrine  do design internacional (a COD representa as formas e volumes insuspeitos da Teperman, Rolf Benz e Herman Miller), a nova loja também destaca a porção designer de Oscar Niemeyer. Aquela chaise deslumbrante de madeira e palhinha (um dia ainda terei uma!), é um dos high-lights do espaço.  www.codbr.com

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julho 29, 2009 at 2:22 pm

Alfreeeeeeeeeedo!!!

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Lembra do mordomo do reclame da Neve, clássico dos 80s que socorria almas desesperadas em busca daquele papel higiênico que sempre falta na hora H? Nem adianta torcer o nariz porquê, etiquetas à parte, todo mundo usa (e abusa) deste acessório, melhor amigo do mais íntimo dos momentos – sem falar que o garboso Alfred é muito mais elegante do que aquele escabroso comercial latino de desodorizador de ar, em que o molequinho berrava “Manhêeeee, eu quero fazer cocô na casa do Pedrinho!”. Papo furado de lado (e necessidades fisiológicas também), o post do dia é para apresentar as latinhas fofas que a Neon, dos modernetes Dudu Bertolini e Rita Comparato, acaba de assinar para a Neve. Divertidas e supergráficas, as ilustrações exclusivas são a cara da última coleção da grife – compare na seleção de looks.

O feito não é inédito, o que só atesta que a moda não passa aperto nem quando o assunto é o “número 2” – embora nem alFreud explique o link, Isabela Capeto e Ronaldo Fraga já assinaram seus modelões alfredianos. De volta à latrinha, ops, à latinha, ouvi dizer que elas funcionam bem como porta-trecos colecionáveis, mas a verdade é uma só, caro leitor: elas servem mesmo é para guardar aquele portentoso rolo de papel do banco de reserva. Tanto que a promoção é a seguinte: a cada pacotão de 12 rolos de 50 metros, o consumidor leva o mimo para casa. Vamos combinar que ninguém precisa de lata para guardar papel-higiênico, né? Mas que uma frescurinha fashion dessas cai bem em qualquer lugar (inclusive no banheiro), isso ninguém pode negar. Já para o trono!

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julho 27, 2009 at 6:39 pm

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Muxarabi

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Aparador Xadrez, Maria Cândida Machado para a Interni

Dica para refrescar o décor – e a cuca: mais do que as transparências, as superfícies vazadas são o máximo da leveza na decoração – desde as palhinhas dos anos dourados aos rabiscos do último grito do design. Por mais pesado que seja o material (ferro, aço, madeira ou coisa que o valha), esse efeito oxigena o look e ajuda a equilibrar as combinações.


Cena do quarto do refúgio ventiladíssimo projetado por Isay Weinfeld no litoral paulista

Falo por experiência própria: lá em casa, por exemplo, onde o aproveitamento de cada centímetro cúbico vale ouro (o apê é uma lata de atum, como vocês sabem), meu set de cadeiras Bertoia funciona como nenhum outro, fazendo o espaço, apertado, fluir melhor. Ali consigo até inserir elementos mais sólidos, de shape denso, como um banquinho brutalista de Hugo França, sem embates – só não dá para abusar muito para não comprometer a circulação.


Dois takes registram a versão do muxarabi contemporâneo de Weinfeld na casa de praia

Mas o mote inspirador do post veio da arquitetura: há dois anos, publicamos na Casa Vogue um refúgio de praia fabuloso, em Iporanga (Guarujá, litoral norte de Sampa), assinado pelo Isay Weinfeld (na minha modesta opinião, o melhor projeto residencial traçado por ele nos últimos anos). Observe como o Isay equilibra as linhas retas e puras do desenho com o sotaque étnico dos muxarabis (treliça característica da arquitetura moura, de grande identidade estética e uso estratégico: possibilita ver sem ser visto, como pede o estilo low profile das mulheres árabes).


Da esquerda para a direita: cadeira Pantosh, da Lattog; poltrona de Aristeu Pires; chaise Rodolfo Dordoni para a Atrium; poltrona Espaço Casa; banquetas Reinhad Dienes

Mais conceitual ainda (e exótica) é a casa japonesa dos arquitetos Masahiro & Mao Harada, batizada de “Sakura House” (ou “Casa Cereja”). Totalmente de vidro, a morada recebeu, para efeitos de proteção, uma segunda pele de aço inoxidável, composta por painéis furados sistematicamente com desenhos que simulam as folhas da cerejeira, símbolo nipônico de prosperidade. O visual modernex traz mais do que apelo vanguardista: a casa é absolutamente ventilada e iluminada, mesmo estrangulada pelo terreno minúsculo (uma realidade em Tóquio).


No alto, chaise Spine, de André Dubrevil; à esquerda, poltrna de Estevão Toledo e mesa de Ferrucio Laviani, Montenapoleone

Sean Godsell, um dos papas da arquitetura contemporânea, assina a Glenburn House, incrustada no alto de um morro no vale do rio Yarra, uma das mais belas regiões da Austrália, entre florestas de eucaliptos, vinhedos e fazendas. Toda ripadinha, a casa se estende pela paisagem quase como um código de barras. A construção é uma investigação profunda da ideia de varanda como espaço fluido, com jogos de filtros e sombras. Genial!


Day bed étnica Indoasia; estante Freecell; cadeira Bertoia e mesa de centro Linea

Na pegada “ventilada” dos muxarabis das mil e uma noites, dos furinhos orientais e das ripas australianas, armei (junto com a Paula Queiroz, jornalista e produtora cheia de gás – e talento) uma seleção de mobília vazadinha que funciona como coringão em qualquer canto – e combina com qualquer estilo de décor. Tem de tudo um pouco e um pouco de tudo: das Bertoias da minha sala de jantar (aqui também em versão Diamond) à cereja do bolo do design italiano – garimpado na Montenapoleone e na Atrium –, dos traços tétricos de Konstantin Grcic, via Micasa, às linhas bem esticadas dos nosso Aristeu Pires e Estevão Toledo. Tudo para a sua casa respirar melhor! Oxigênio já!


Aparador Claudio Bambrilla, Montenapoleone


Seleção pinçada na Artefacto: mesa lateral e chaise Karim Rashid; poltrona Pigalle, do filipino Kenneth Cobonpue


Casa projetada por Sean Godsell na Austrália


Cadeira de Jum Hashimoto; cadeira de Konstantin Grcic; poltrona Toque da Casa; cadeira de Patrick Jouin; Bertoia em versão Diamond


Cadeira de raquete de tênis by Punga & Smith; cadeira plahinha Velha Bahia; cadeira Clarissa, Toque da Casa; poltrona de tiras versao clara, Toque da Casa; poltrona Armando Cerello


Cadeira Artefacto Beach & Country; versão de cadeira Konstantin Grcic com pés de inox; banquetas ripadas Abitare; mesa de apoio Catallogo e gardean seat Artefacto Basic


Fachada da Sakura House, no Japão


Estofados B&B Italia, Atrium; cadeira Baber; sofá Shiro Kuramata

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julho 24, 2009 at 2:56 pm

Besame mucho

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Lembra que outro dia comentei aqui que a Jacqueline Terpins estava experimentando matérias-primas alternativas, além dos cristais que a consagraram? Pois a produção extra-vítrea segue de vento em popa, como mostra este petardo que acabei de pinçar no seu estúdio: reeditada em novo material, a mesa lateral Besame Mucho é produzida agora em corian, matéria-prima que combina com perfeição minerais naturais e resina acrílica de alta qualidade. A peça tem uma superfície sólida, maciça e resistente. Como resultado estético, este material passa a sensação de porcelana fosca, permitindo criar ambientes sensoriais e criativos. Embora seja admirador das linhas retas, confesso que também tenho uma quedinha por formas mais inusitadas e orgânicas – incluindo esta, quase alienígena.


Nova obra de Jacqueline Terpins, a mesa “Besame Mucho” agora é feita de corian, um material superfuturista (leia mais no texto) / foto: Divulgação

E o corian tem seus plus: é durável, não descasca e é resistente à maioria dos impactos e arranhões que ocorrem em áreas de uso intenso. “A qualidade da matéria-prima é de extrema importância para a excelência do produto final”, diz Jacque.  + www.terpins.com

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julho 20, 2009 at 11:26 pm

Publicado em Décor, Design

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On the wall

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Pegando o gancho dos grafites (ou grafittis, como preferem os puristas), saca só o figurino hot-hot-hot dessas geladeiras. Descolex é pouco, né? Pois elas são só a pontinha do iceberg. Parceria da Micasa (www.micasa.com.br) com o Estúdio 20.87, as máquinas ganharam look turbinado pelas mãos dos designers Julio Zukerman e Henrique Lima, do duo “Mulheres Barbadas”. Conhecidos pelo trabalho autoral de muitos elementos e poucas cores (e por disponibilizar seus desenhos para download na web), os ilustradores trabalham preenchendo espaços com desenhos über-moderninhos, simbiose das culturas do HQ e da arte de rua. O bacana da parceria da dupla com a Micasa, é o pedigree em dose dupla: além dos produtos do Estúdio 20.87 (como as geladeiras pop-popozudas), a dupla também customiza as peças de design 5 estrelas da Vitra. PS: eles vão grafitar, de cabo a rabo, um dos ambientes da Casa do Lado (loja anexa à Micasa), com pôsteres, quadros e desenhos nas paredes e tetos, com direito a um plus: o diretor Luciano Sanches vai filmar toda a peripécia para um documentário.

Legenda: Geladeiras customizadas pelo “Mulhores Barbadas”, na Micasa

Dica da Paula Queiroz, Tomaz Viana, representado pela Galeria Movimento (www.galeriamovimento.com.br) é outro grafiteiro que curte linkar sua arte com o universo doméstico. Seu barato é pegar móveis antigos e pintar o sete neles.


Legenda: A velha gaveta de cômoda ganhou look terceiro milênio no grafite de Tomaz Viana

Ainda da série “ArtParade”, a mana Patrícia Favalle (jornalistona das melhores que conheço e amiga-gêmea-quase siamesa deste blogueiro que vos escreve), está morrendo de amores pelo trabalho do Jgor (www.jgor.com.br), artista novo na praça, totalmente off road, mas com desenho super in. Ela aposta nele – e eu também. Mas como Paty consegue ser ainda mais inflamada do que eu em suas chancelas, deixo-a com a sopa de letrinhas sobre o cara (muito bem temperada, por sinal).

“O pincel tange descontrolado sobre a superfície. Do azul ao vermelho as cores encontram-se inéditas, imprimindo nas latas, portas, papelão, telas e outras variáveis urbanas a criação do paulista José Ferreira Junior. Como se observa nos seus quadros, marcados pela referência de Jean-Michel Basquiat, a força bruta das formas unida à liberdade do graffiti, transcende os contornos da imagem num contexto entorpecente. No raciocínio permitido pela semelhança, José, que nasceu em Cajuru, cidade do interior paulista, se transformou no grafiteiro JGor. Já na Paulicéia, desde 2003, o jovem balzaquiano fez da arte marginal sua própria linguagem, estendendo a produção aos calques de canetinha, giz de cera, óleo, esmalte e técnicas mistas. O aprendizado desenvolvido sem mestres, teorias, materiais e informações didáticas, – eis mais uma afinidade com Basquiat –, é instintivo e popularesco, sem que isso lhe cause demérito algum. Afinal, como questionava o poeta-andarilho Gentileza: “O que é mais inteligente, o livro ou a sabedoria?” Patricia Favalle


Legenda: Óleo de Jgor lembra as pinturas de Basquiat

Fechando o post do dia na mesma onda, mas numa prancha um pouco mais lúdica e romântica, vale espiar o trabalho da Calu Fontes (www.calufontes.com). O vaso de porcelana com pinturas e apliques de flores, pássaros e mandalas, dá uma deixa da nova coleção da arquiteta-ceramista-ilustradora. Calu é expert em customizar xícaras, vasos, pratos, moringas, vasilhas e o que mais a sua imaginação mandar. “Não desenho croquis, sigo adiante e deixo as linhas fluírem. Por isso, quando inicio a pintura, nunca sei como ela ficará no final”, diz.


Legenda: Vaso da ceramista Calu Fontes: “pixação” romântica e cheia de estilo

Written by AllexInCasa

julho 17, 2009 at 4:13 pm

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Subindo pelas paredes

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E lá no Rio a arte está, literalmente, subindo pelas paredes. Projeto da Galeria A Gentil Carioca (www.agentilcarioca.com.br) convida um time de artistas para, cada qual à sua maneira, produzir uma instalação outdoor na parede lateral do prédio, em pleno centrão do Rio. A cada edição (que dura em média quatro meses), um nome quente da cena contemporânea leva para a rua esta ação que propõe democratizar a arte e incentivar o interesse da população. Entre pinturas, grafites e performances instigantes, nomes como Dane Mitchell, Guga Ferraz e Carlos Garaicoa já passaram por lá com obras pouco convencionais que transformam a paisagem urbana.

Inquilinos da vez, os irmãos Tiago e Gabriel Primo radicalizaram ao ponto de ganhar reportagem internacional na Reuters de hoje (clique aqui para ler a matéria original)

Imagine que os big brothers ignoraram o limite vertical do paredão para simular uma casa ao ar livre, brincando com a estética da dos realitys shows, do urbanismo desenfreado e da decoração kitsch (a produção inclui rede, cama, escrivaninha, espreguiçadeiras e até um gramofone: tudo chumbado para garantir o trânsito dos homens-aranha).

Faça chuva ou faço sol, a instalação nunca fica vazia: quando um deles precisa ir ao banheiro, por exemplo, o outro fica de prontidão, para deleite dos voyers de ocasião.

Written by AllexInCasa

julho 14, 2009 at 9:27 pm