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O veneno antimonotonia de Rosenbaum

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Em sua carreira meteórica, Jean Michel Basquiat conseguiu um feito e tanto: pixou seu nome com letras garrafais no muro da contracultura norte-americana, nos coloridos anos 80 (quando quase toda a subversão setentista já havia ecoado pelos quatro cantos do planeta). Gênio precoce, badalado e festejado aos 19 anos, morreria pouco mais tarde, aos 27, depois de uma vida de glam e excessos, regada a sexo, drogas, grafitti e rock’n roll. Basquiat namorou Madonna, foi amigo de Andy Warhol e teve muito mais do que quinze minutos de fama: sua marca ficaria impressa para sempre no circuito, como uma das figuras mais originais da arte contemporânea.

Quando nos sentamos para bolar o conteúdo da já tradicional edição de arte de Casa Vogue, nossa diretora Clarissa Schneider teve o insight: “Vamos convidar Marcelo Rosenbaum para interpretar um ambiente à Basquiat”. Bingo! Ninguém melhor do que ele para encarar o desafio. Sou fã número um do Rosebambambã por vários motivos: ele tem uma verve criativa cheia de gás; inventa moda sem nenhuma pretensão; converte o ordinário em extraordinário num piscar de olhos; é moderno até o tutano sem dar as costas para a cultura popular brasileira; é pop porque fala com a elite e com o povão com um carisma infinito; não segue padrões convencionais e subverte a estética o quanto pode, sempre que pode, entre outros adjetivos. Mas o que mais me surpreende em seu trabalho é a entrega absoluta. Com um briefing nas mãos e a liberdade de sempre na cuca, Marcelo inventou um Basquiat tão legítimo que podemos sentí-lo no espaço – tipo loft nova-iorquino, total 80s. Fui lá acompanhar tudo de perto, boquiaberto com a mistura fina: o grafite, a street art, os pneus empilhados, os móveis de design, os tribalismos, as projeções em video, a fusão luxo-lixo… Sem falar no look new-wave com direito a Louboutin-agulha-vermelho-vertiginoso onde a modelo Isabella Melo (adoro esse link fashion-decorex) tentava se equilibrar fazendo a linha “musa de Basquiat”, produzida pelas poderosas Verena Bonzo e Jéssica Juliani.

Sempre faço questão de assinar os textos que publicamos sobre o Marcelo em Casa Vogue. Mas, desta vez, justamente buscando um distanciamento mais crítico (e talvez menos inflamado), encomendei o feito a um dos nossos colaboradores prediletos, o Sergio Zobaran, que chegou chegando no título: “Vida louca vida.” Para te deixar com água na boca e fazer você sair correndo agora até a banca mais próxima buscar a sua revista predileta com a superprodução de Rosebambambã na íntegra, antecipo aqui alguns registros do Romulo Fialdini (outro de nossos colaboradores prediletos) e uma impressão zobaraniana (não menos empolgada do que a minha):

O Marcelo Rosenbaum não produz apenas lares, doces lares na TV. Como anda muito global, e lá dizem que ‘quem sabe faz ao vivo’, ele montou, para este especial de julho da Casa Vogue, um editorial sensacional: um real loft novaiorquino (um ambiente só, pédireito alto and so on) em homenagem ao Basquiat – em pleno bairro de Pinheiros, SP. Mais precisamente em seu genial escritório-galpão, uma antiga gráfica. E lá fui eu estudar a vida deste artista plástico muito louco que era o norteamericano Jean-Michel Basquiat (claro que, na minha pesquisa além-google, li que era haitiano, e por aí vai… mas haitiano era o pai, daí o nome francês!), antes de entrevistar o Rosenbaum, que já conhecia desde os tempos politicamente incorretos em que assinou um fumoir para a Casa Cor, idos de 2003. A produção incrível desta sofisticadíssima toca foi de parte a parte: no nosso time, um aparato com direito a stylist, produtora e assistente, beauty maker & assistant, fotógrafo, modelo magérrima-cabelão-lata de spray na mão, diretora de redação, editor-chefe (os meus chefinhos), e eu, o repórter… No coletivo dele, uma penca de designers, artistas e produtores modernos e antenados também (people like us). Resultado: o fera Basquiat, que só viveu 27 anos, entre 1960 e 1988, ganhou um ambiente incrível e a cara dele, por tudo que li e vi no livro que o Wair de Paula me emprestou (e seu trabalho me fez lembrar mais uma vez de Alex Vallaury, Leonilson e Jadir Freire, entre outros tantos pós e contemporâneos dele, grafiteiros ou não), e pelos móveis, obras de arte e objetos selecionados a dedo para compor o décor – em que dá vontade de ficar pra sempre. A inspiração do texto, além de tudo de bacana à nossa frente, foram as músicas de época do Cazuza, anos 80 na veia. Afinal, além de tudo (grafites e heroínas como Madonna em sua cama), nosso herói morreu de overdose, como outros da letra J da vez: Jimmy Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin. A vida foi breve, as marcas para sempre. Só não passe a perceber Basquiat em tudo o que agora vê por aí. Garanto: tem tudo a ver, sim, com o que vemos/vivemos hoje – só que de forma mais mainstream. Mas estes sintomas passam em um mês. A matéria fica: linda e ali registrada na Casa Vogue. Aprecie com moderação…

Atenção: a capa que eu colei acima não é a que está nas bancas – escolher capa é um trabalho complicado: colocamos mil opções na frente, consultamos gregos e troianos, votamos e estudamos os prós e contras de cada uma delas, antes de determinar a eleita em si. Mas acho esse estudo tão genial, mas tão genial, que quis dividir com vocês. Clarissa teve a ideia do spray na mão da modelo garfitando o logo, e acrescentou o arranjo de flores de plástico à produção de Rosenbaum; Zé Renato entrou com o recorte e com o “A” estilizado da “Anarquia”. Romulo e Marcelo dirigiram a top com toda a ginga. Demais, não?

Para fechar o post no melhor estilo “Vida louca, vida breve”, escolhi um flashback do balacobaco. Clarissa e eu comentávamos agorinha, que nada mais Basquiat na música brasileira do que Cazuza. Zobaran fecha no discurso. Àqueles que, como eu, cresceram nos 80s, um salve com uma das frases mais definitivas (e suicidas) da nossa poesia-pop-cantada: “vida louca, vida breve, já que eu não posso te levar, quero que você me leve”:

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Written by AllexInCasa

julho 1, 2009 às 11:09 pm

26 Respostas

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  1. louco

    Victor

    julho 2, 2009 at 1:15 pm

  2. Amo Baquiatt. Ele é o pai do grafite definitivamente

    Elisangela

    julho 2, 2009 at 1:31 pm

  3. Tudo o que a gente vê na Choque Cultural vem desse movimento aí. Muito bom.

    Renato Bokaro

    julho 2, 2009 at 1:35 pm

  4. 14 páginas arrasadoras…além das imagens acima, a foto do espelho com o lustre rosa ficou original de Marcelo Basquiat (Rosenbaum incorporou total), bacanérrimo!!! parabéns pela escolha do profissional e pelo tema, sempre atemporal…bjs

    Renata Sherman

    julho 2, 2009 at 2:03 pm

  5. Eu queria essa capa!!!

    Paula Queiroz

    julho 3, 2009 at 1:12 pm

  6. Adorei, e realmente tudo que eu gostaria de ter em minha casa
    parabens voce e um genio

    Marcia Martino

    julho 3, 2009 at 4:52 pm

  7. Muito Bom!

    Rato

    julho 3, 2009 at 5:25 pm

  8. Se essa decoração fosse feita por um desconhecido, será que faria algum sucesso? Tenho dúvidas.
    hehehehe
    Deus me livre de tanta coisa feia

    Anônimo

    julho 3, 2009 at 7:25 pm

  9. morreu de overdose como os outros da letra j que coisa genial esse pintor era porco na arte , No dá emoçao nenhuma , ja andy warol era muito bom ….mas nada como um bom marchant pára a porcaria entrar no mercado comparar com jimi hendrix e jim morrison mas agora chega esse pessoal vendendo o peixe dele pra valorizar devem estar com dezenas de obras encalhadas a venda no mercado sul americano sem chances para desovar no mercado europeu e americano por que la os caras nao engolem como aqui os formadores de opinião , o marcelo é bom arquiteto faz as casas do lar doce lar do hulk .e faz direito
    ou seria outro marcelo ?
    e a arte boa brasileira na europa bomba pra quem quiser ver e nao ver ou fazer de conta que nao ve em galerias como a saatchi gallery e esse povo so faz igrejinha os semi deuses da arte em cima de QUEM VAMOS ELEVAR AO TOPO AGORA ? mas tudo van gogh morreu disso depois que ficou rico e como disse hendrix se vc morre cedo esta feito pelo resto da vida . tai o baskia que nao me deixa mentir rsrsrs e como dizia a RUIVINHA DA GALERIA
    é pintor europeu ? PORQUE AQUI NOS SÓ ACEITAMOS PINTORES EUROPEUS DISSE A RUIVA ESQUELETICA DE MANGAS BUFANTES PROTEGIDA ENTRE AS GRADES DA GALERIA EM SAO PAULO junta terceiro mundo e quarto poder dá nisso

    Jarno A. Lupin

    julho 3, 2009 at 7:35 pm

  10. E se fosse um desconhecido que tivesse feito essa “interpretação”…
    Deixo pra vocês pensarem na resposta.

    Anônimo

    julho 3, 2009 at 7:35 pm

  11. Impressionante como NY era um grande consumidor de arte e não tinha ninguém de expressão mundial nas plásticas. Tinham que eleger alguém, nem que fosse um Basquiatt. Bom pra ele, mas não para quem tem que engolir isso!

    Douglas

    julho 4, 2009 at 7:18 am

  12. Nossa nunca vi tanta coisa feia junta, a cabeça dele deve ser essa confusao.
    Tremendamente pessimo visual.

    nelio nogueira

    julho 4, 2009 at 8:15 am

  13. Muito original, acertaram na escolha do artista.
    Valeu!!!!

    Godofredo Placco

    julho 4, 2009 at 8:47 am

  14. se fosse pobre era brega mas como e de rico e arte rsrsrsrrsrsr
    ilario……..

    normando

    julho 4, 2009 at 8:49 am

  15. Basquiat era um genio.E como todo genio não foi compreendido por todos. Nunca foi nem nunca será unanimidade. E acho que ele queria exatamente isso. Amo o seu trabalho e amo o Rosembaum por ter feito algo tao poetico sem se preocupar em agradar todo mundo.

    Devorah J. Kretack

    julho 4, 2009 at 1:41 pm

  16. Não é qualquer Zé Mané que vai entender… amo

    Vanessa L. Gutierrez

    julho 4, 2009 at 2:03 pm

  17. Decoração & anarquia ? … confesso q não entendo + nada,,,

    Edson

    julho 4, 2009 at 10:14 pm

  18. loucura!!!!
    loucura!!!!!!

    fernanda

    julho 5, 2009 at 8:02 am

  19. a capa q nao foi capa tá o MAXIMO….parabens a todos q produziram essa materia sobre o genio Basquiat…ele é meu grande inspirador nas telas!!!

    lolo camargo

    julho 5, 2009 at 9:16 am

  20. Bizarro!!!

    William Rone

    julho 5, 2009 at 10:24 am

  21. Decor culto e transado não é parra quem ta acostumado com Casas Bahia e Marabraz, ne. Grande Marcelo

    Bruna Magalli

    julho 5, 2009 at 2:29 pm

  22. Abaixo a mesmice! Adorei!

    Bety

    julho 5, 2009 at 2:45 pm

  23. Mama mia, como pode misturar decoração com anarquia? continuo não entendendo nada… alguém me explica?

    Edson

    julho 6, 2009 at 12:54 am

  24. tudo que gera polêmica é bom. porque faz a gente pensar.
    valeu!

    sergio zobaran

    julho 6, 2009 at 5:57 am

  25. Êta comentariozinhos chinfrim!!!!
    Como esse povo gosta de falar sobre o que não tem a minima ideia, ou pior, nunca ouviu falar….
    Este blog eh mt bom, ilustrado c fotos primorosas da revista Vogue e etc…..
    Mas eh hilario como tem gente q se da ao luxo pobre d tecer comentarios sobre tudo c pouquissimo ou nenhum conhecimento de causa.
    O caso aki eh o Basquiat…..
    Eu mesmo conheço mt pouco de sua obra, mas por saber e lembrar d seu boom em NY principalmente, acho esses comentários (cretinos e vazios, falando mal de sua obra), no minimo dispensaveis, p nao dizer deletáveis!
    Mas enfim, a materia esta oooooooootima e as fotos soberbas!!!!
    Pena q a capa da Vogue anarquista nao foi publicada….
    abs
    Jony.

    joao luiz diaz

    julho 8, 2009 at 12:25 am

  26. Mega brow…..
    Estou desenvolvendo um projeto de design ralacionado com a contracultura e o trabalho de Basquiat.

    Entre em contato para troca de informações!

    Abrassss.
    Mateus

    Mateus V. de Moraes

    abril 1, 2010 at 9:34 pm


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