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Archive for agosto 2009

Suave é a noite

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Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução

Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!

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agosto 26, 2009 at 12:34 pm

O fabuloso destino de Amélia

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Como sinalizei ontem no post do Rodrigo, está aberta a temporada de caça aos novos talentos – mais do que nunca, ando no encalço deles, para um projetinho especial que estamos bolando a seis mãos (junto com Fabrizio Rollo e Wagner Archela). Enquanto não chega a hora de dinamitar o assunto aqui no blog, vou servir, entre um post e outro, alguns drops desta fase de pré-seleção.

Adorei, por exemplo, o trabalho da Amélia Tarozzo (www.ameliatarozzo.com.br), dona da marca de design que leva o seu nome – e um punhado de criações autorais.

Se a Amélia do samba não tinha a menor vaidade com nada, essa esbanja esmero em design correto, bem cortadinho. Com pegada handmade, a jovem artista usa técnicas tradicionais de encaixe de marcenaria (com madeira maciça certificada e MDF laminado) em móveis “pé no chão”, de desenho puro, sem muita frescura, de efeito geométrico.

Em casa, a fabricação de móveis era assunto corriqueiro. Meu avô paterno foi marceneiro e teve sua fábrica e loja por quase 50 anos em Ribeirão Preto. Não cheguei a conhecê-lo, mas sem dúvida herdei o gosto e, quem sabe, um pouco de seu talento para a marcenaria”, diz.

Formada em arquitetura pela FAAP, Amélia converte seu know-how construtivista para a escala do design, com look brasileiro e preocupação especial com os acabamentos, evitando os pregos e parafusos, por exemplo. “Priorizo as estruturas feitas com a própria madeira”. Mais novidade na praça, para ficar de olho.

e-mail: amelia@ameliatarozzo.com.br
mais infos: 11 3034 6202

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agosto 25, 2009 at 7:36 pm

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Como nascem as lendas

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Conheci o trabalho do Rodrigo Almeida (www.rodrigoalmeidadesign.com) há quase dois anos, na gênese deste blog – o cara tem olhar crítico e costumava dar palpites ácidos nos posts, antes de se mandar para uma temporada no estrangeiro. Não sei ao certo a razão do périplo… Talvez foi para apurar o gosto (que já era bom), talvez para observar o mundo sob uma grande angular, talvez para sacar o que as pessoas estão fazendo para não fazer, definitivamente, nada parecido.

Essa característica não-conformista transborda para o seu traço. Criativo, engenhoso, subversivo, intrigante e moderno até a medula, Rodrigo é, sem dúvida, o que eu vi de mais novidadeiro entre as novas crias do design nacional.

De volta ao Brasil, ele acaba de abrir um estúdio que, segundo as minhas profecias, deve ir longe, muito longe… Ali ele mixa, muito bem mixado, matérias-primas alternativas (coisa que todo mundo tenta, mas que poucos são felizes no resultado), identidade brasileirinha (pelo apego às raízes, achei que ele fosse nordestino), formas dinâmicas e inventivas (que poderiam ter sido tramadas por qualquer neo-gênio holandês), com apelo estético polêmico (algumas criações chegam a incomodar: impossível ficar indiferente a elas). Tudo absolutamente vanguardista.

“Sou obcecado por cultura popular brasileira, Tropicalismo e Oswald de Andrade. Meu trabalho vai nessa direção…”, diz.

Claro que não é mobília para qualquer um (é pouco comercial, reconheço). Mas, se o objetivo dele for esse (acho que não é), com o tempo há de se podar as arestas. A praia do Rodrigo tem muito mais a ver com edições limitadas, dirigidas, colecionáveis – ah, se ele cai na “zona torta” de Milão…

O começo de todo profissional do design (como acontece em quase todas as outras áreas), é sempre a fase mais difícil da carreira: é quando se pleiteia, desesperadamente, um lugar ao sol tentando equacionar questões elementares, como conceito, ergonomia, plástica, originalidade e adequação mercadológica com o diferencial de uma assinatura autoral. Nesse aspecto, Rodrigo chega com tudo.

Quase ninguém na imprensa ainda falou dele, mas logo o cara vira notícia. Preparem-se para Rodrigo Almeida. Ele só está começando.

e-mail: rodrigoalmeidadesign@hotmail.com
mais infos: 11 2305 2824

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agosto 24, 2009 at 10:15 am

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O "F" que faltava

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A 6F Decorações (www.6f.com.br) incrementa a coleção 2009 com um “F” a mais. Monsieur Fabrizio Rollo (veja o que já publiquei sobre ele aqui) assina uma linha exclusiva para a marca. Claro que, em se tratando deste meu nobre colega, não é nada que a gente já tenha visto, pelo menos em cerâmicas (venhamos e convenhamos: arabescos, florais e outras pinturas clássicas, tudo bem, mas estamparia em op, é a primeira vez, né?).

Inspirado na psicodelia da optical art, Fabrizio converteu essa ilusão de ótica em estampas para potiches, vasos e garden seats, deixando essas peças de shape milenar com uma cara absolutamente moderninha. Projetadas no Brasil e desenvolvidas na China, quadradinho por quadradinho, cada acessório pode levar até seis meses para ficar pronto. Um luxo, né?

Queria aproveitar a arte milenar da porcelana pintada em azul e branco, sem interferir na técnica, mas sugerindo um grafismo diferente, tirando o máximo partido da sabedoria e precisão desses artesãos”, me contou Fabrizio. “De longe, a pintura é exata, simétrica. De perto, pequenas imperfeições acentuam o charme artesanal. Por isso fiz questão que elas fossem feitas a mão”, continua o designer, que insistiu na manufatura para garantir o efeito que não conseguiria com decalques, adesivos, apliques ou outros artifícios industriais. “É um trabalho muito minucioso. Até o tom da tinta de cada quadrado depende da força que o artista coloca na pincelada. Aí é que está a sofisticação”.

Haja paciência oriental para tanto detalhe.  “Vários ateliês chineses rejeitaram o pedido”, brinca Fabrizio. Consigo até visualizar a cara do chinês se descabelando com o pincel na mão e as vistas embaralhadas. Entenda o por quê na sequência:

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agosto 21, 2009 at 6:48 pm

Publicado em Décor, Design

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Escala evolutiva

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Cômoda criada por Ferrucio Laviani para a Montenapoleone: a peça mostra, no sentido horizontal, a evolução do mobiliário / foto: Divulgação

Olha só que divertido esse móvel da Montenapoleone (www.montenapoleone.com.br), bolado pelo designer italiano Ferruccio Laviani (uma cachola de ideias frescas). A peça revisita, em três traços ligeiros, a evolução do mobiliário: da cômoda europeia mais clássica do século 18, ao que há de mais contemporâneo e puro no novo milênio, combinando inox e madeira em efeito “less is more” radical, daqueles que dispensam até os puxadores.

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agosto 18, 2009 at 1:40 pm

Costela no bafo

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A poltrona “Costela”, do designer argentino Martin Eisler, permanece um clássico do mobiliário contemporâneo / foto: Divulgação

De carona no dorso da mimosa do último post: se você tem mais de 40 (ou curte mobiliário antigo do século 20), provavelmente já viu a poltrona “Costela” em algum lugar. Criado em 1956 pelo arquiteto e cenógrafo argentino Martin Eisler, antigo proprietário da Forma (tanto a original portenha como a filial nacional), o móvel saiu de linha em 63.

Óbvio que o nome da peça vem do shape da estrutura, com seu look Adão. As almofadas em capitonê se prendem com velcros firmes, tanto no assento como no encosto, à base vazada, sem ficar sambando quando a gente senta. Os pés, muito delicados se comparados ao contexto mais rechonchudo da poltrona, se apoiam sobre sapatas basculantes, magrinhos e discretinhos. Nunca fiz o test-drive, mas quem fez garante: não dá vontade levantar!

Tanto que agora, quase cinquenta anos do primeiro protótipo, após se extinguir dos antiquários, ela volta a ser fabricada em série numerada, com direito à assinatura de Eisler gravada na base em aço inox – com autorização de sua família, é claro.

Procure no Rio, com exclusividade no showroom de Hetty Goldberg (www.hettygoldberg.com.br) – ela sempre tem coisas bacanas.

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agosto 17, 2009 at 5:38 pm

Publicado em Design

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Vaca profana

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Post inspirado pelo friozinho que assolou a Paulicéia nos últimos dias – se bem que são tantos loopings no termômetro que eu já nem sei como tá o mundo lá fora hoje. No melhor estilo cow parade, duas peças de design da minha adoração, em versão country-show: poltrona Egg, clássico de Arne Jacobsen (aqui em pele natural); e a cadeira LCW, de Charles & Ray Eames (em pele ecológica). Para completar a vibe rodeio, tapete Revestir Revestindo (natural), recamier TBH, poltrona Raul Yetman e Alberto Moraes Couto (natural). Tudo na sequência:

Momento mea culpa com o PETA: acho um tanto cafona (e cruel) essa coisa de pele animal no décor. Não uso e não incentivo! Embora não jogue tortas na cara de quem curta um couro bovino no sofá, nas almofadas ou no closet. De qualquer forma, já que não estamos na Índia e a vaquinha foi para o brejo (ou virou aquele bife que você garfou no almoço), resolvi postar essas peças assumindo o risco de ser atacado por alguns “analfacistas funcionais”: a internet está cheia deles! Lembra do post dos corais, que duas dúzias de manés apedrejaram achando que eu tava incentivando a pesca predatória, sem se dar ao trabalho de ler a matéria e se tocar que me referia a corais fake?  O assunto foi parar no Estadão!

Provocações de lado, prefira sempre as padronagens sintéticas. Muito mais descolado ter a inspiração da natureza pela casa do que um souvenir de agonia como adorno. Sintetize já. E sintonize mais ainda, com essa apresentação que pincei no baú das malhadas atoladas: Sua divindade Gal Costa em momento caetânico, entoando os versinhos de Vaca Profana (adoro a parte em que ela grita “vaca de divinas tetas”), em algum lugar dos 80s. Sobe o som!

Written by AllexInCasa

agosto 14, 2009 at 4:45 pm