AllexInCasa: pra quem sempre volta pra casa

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Archive for março 2010

Faroeste Caboclo

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Adorei essa imagem que acabo de receber como prévia da sexta edição da revista “Way Design”, magazine da marca carioca homônima que aposta em talentos brasucas. Na matéria “Out of reality”, a jornalista Elda Priami escreveu: “Neste mundo multipolarizado, a arquitetura e o design ganham formas surrealistas. Às vezes, os projetos desafiam até a lei da gravidade, mas há muito espaço para pensar em algo que ainda não existe e… surpreender. Pode estar na aparente simplicidade o desafio do novo. “

Com essa ideia na cabeça e um maço de feno (virtual) nas mãos, Sergio Fahrer mandou ver neste sofá em look “mundo de Marlboro”. Com a palavra, o designer: “Este sofá seria feito de feno. É uma peça que ainda não existe, pois nunca foi fabricada. Se ele existir, vai cumprir sua função de sofá e passará a não existir no momento em que quisermos. Podemos sentar nele para relaxar (principalmente se estivermos no campo) e, quando não o quisermos mais, deixamos que um animal se alimente dele. Neste momento, o sofá passa a não existir de novo, pois virou o alimento para o animal, que se transformará em adubo para a terra, onde o feno voltará a crescer. Se quisermos, ele pode virar um sofá novamente. É o produto mais perfeito do mundo, pois tem design, função específica e atende a toda a cadeia produtiva, alimentar, de reciclagem, sem poluir o meio ambiente”, explica.

Para saber o resto, é só esperar a publicação, que roda no circuito a partir do dia 6 de abril.

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março 31, 2010 at 10:02 pm

Verde que te quero ver

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E diz que o verde é a cor que procuramos instintivamente quando bate um down. Será? Nunca fiz tal associação, embora paisagens naturais sejam, obviamente, revigorantes, reconfortantes, energizantes.

Na decoração, em tons mais baixos, essa cor traz relax e calmaria, sem deixar de marcar presença. Combina praticamente com qualquer outra paleta e fica linda quando contracena com cartelas mais explosivas – como a clássica dobradinha verde+turquesa, do legendário decorador inglês David Hicks, gênio dos anos 60 e 70; ou com o amarelão da nossa bandeira, ou com o pink dos flamingos…

Holisticamente, o verde é usado na cromoterapia como neutralizador das energias negativas. Na terapia dos cristais, a esmeralda funciona como chakra do coração. Ou seja: não pense duas vezes antes de escolher um móvel ou objeto nesta cor para pontuar o seu décor.

Folclores a parte, cuidado com os excessos: por ser muito marcante, o verdão enjoar fácil. Logo, use com moderação. Nas paredes, por exemplo, evite as aberrações e escolha as tonalidades mais levinhas, quase como uma marca d’ água.

O pantone é tão grande que quase não dá para mencionar aqui. Entre as cores “da moda”, estão água-marinha, celadon (um dos meus prediletos), verde-mar, lima, chartreuse, abacate, esmeralda, verde-bandeira, musgo, oliva, escuro, floresta, grama, Kentucky, primavera, turquesa, desbotado, fantasma, menta, exército, marciano, lunar e por aí vai…

Até eu, que nunca fui muito fã (a única coisa verde que tem lá em casa é o pequeno canteiro de plantas do meu micro-jardim), começo a me render… Fica a dica para começar a semana com um look enfurecido, numa vibe meio Hulk.

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março 29, 2010 at 5:49 pm

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Foto em casa

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Já escrevi aqui muitas vezes sobre o espaço que a fotografia vem ganhando entre as artes plásticas e, consequentemente, potencializando o seu status enquanto um dos elementos mais bem cotados na decoração contemporânea – até pela acessibilidade.

Coloridas ou p&b, fotografias sempre causam sensação quando penduradas como quadros, contracenando com pinturas (ou substituindo-as mesmo); apoiadas no chão ou sobre um aparador, e sobrepostas enigmaticamente, compondo um mosaico.

A tendência está aí e é um prato cheio pra quem curte, como eu. Infelizmente, não tenho (ainda) nada de Pierre Vergé, Robert Mapplethorpe, Sebastião Salgado, Mario Cravo Neto ou Cartier Bresson, e morro de inveja (branca) do Otto Stupakoff da minha amiga Patricia Favalle. Mas devo dizer que tenho um certo orgulho da minha pequena coleção.

Faz quase 12 anos que colaboro ativamente para o mercado de luxo (dez deles, só na Vogue). Tanto tempo lidando com excelência gráfica, onde a matéria-prima (uma boa foto) é fundamental, me deu certa expertise para identificar que aqui no Brasil existem bons fotógrafos, excelentes fotógrafos e os melhores fotógrafos. E existe Romulo Fialdini, na minha modesta opinião, acima de qualquer categoria classificatória.

Enquanto os grisalhos balzaquianos pipocam entusiasmadamente na minha cabeça, olho para trás e percebo que nunca vi uma foto “mais ou menos” do cara – quem leu a Casa Vogue de fevereiro, já sacou a admiração que tenho por ele – a sacada, o ângulo, o recorte, a luz e a poesia por trás do clique são inconfundíves.

Tudo isso para dizer, orgulhosamente, que meu cafofo acaba de ser condecorado (afinal, ele merecia!) com um take incrível do elevador Lacerda, de Salvador, com assinatura do mestre Romulo. Iria postar a tal imagem aqui, mas daí fui mais longe e resolvi mostrar um pouquinho do universo estético do artista por trás das lentes. De quebra, você ganha uma dica de decoração infalível: leva estilo, personalidade, traquitanas chiques e, como não poderia deixar de ser, muitas fotos. Com vocês, o fabuloso mundo de Romulo!

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março 26, 2010 at 5:08 pm

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Atenção: Homens Trabalhando!

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Que atire a primeira marreta quem nunca adentrou os recônditos de uma obra e calcou sua pegada no cimento fresco…

É muito comum, no âmbito da construção civil, mestres de obras, pedreiros e serventes, inventivos que são, criarem mesas, cadeiras, bancos, camas e outros móveis efêmeros (para uso pessoal e intransferível) a partir de descartes de madeira e o que mais estiver ao alcance das mãos. Por trás desse design tosco, quase marginal, está o suor de uma das labutas mais ingratas (e fundamentais para a sociedade), além do senso de ergonomia e pureza de uma gente que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia. É a máxima da funcionalidade, que rechaça toda e qualquer vaidade em nome do uso. Há, nisso tudo, uma poesia que quase ninguém enxerga. Marcio Kogan e companhia (Beatriz Meyer, Carolina Castroviejo, Diana Radomysler, Eduardo Chalabi, Eduardo Glycerio, Gabriel Kogan, Lair Reis, Maria Cristina Motta, Mariana Simas, Oswaldo Pessano, Renata Furlanetto, Samanta Cafardo, Suzana Glogowski e Álvaro Wolmer), não só notaram a graça da coisa, como vislumbraram ali um universo estético imaculadamente criativo e potencialmente antenado (com questões atualíssimas como as tendências que apontam para a frugalidade no desenho e para o reaproveitamento de materiais em nome do meio ambiente).

Acabo de bater um papo com o arquiteto sobre a nova (e genial) coleção de móveis que leva assinatura do seu StudioMK27, para a Micasa.

Batizada de “Próteses e Enxertos”, com ares – absolutamente despretensiosos – de instalação de arte, os móveis são de uma simplicidade absurda, mas é claro que têm um quê de engenhosidade e vanguarda típicos da trupe de Kogan.

Resgatados dos canteiros de obras dos projetos do escritório, os móveis construídos por trabalhadores anônimos ganharam pequenas – e notáveis – intervenções (as tais próteses e enxertos). Nesse contexto, uma mesa de tábuas pregadas foi condecorada com uma luminária de cobre importada; outra tem embutido um modernoso porta-joias automatizado; há também uma no melhor estilo “do lixo ao luxo”, que mistura madeira ordinária com ouro, entre outras tantas. A minha peça predileta, o banquinho Bo (em homenagem a legendária arquiteta Lina Bo Bardi), evoca o “apoio girafa” com toque lúdico levado às últimas consequências, em versão mirim.

Aliás, no catálogo da mostra (por sinal, poderosíssimo, com projeto gráfico e textos bacanérrimos de Gabriel Kogan, o herdeiro do homem), há uma frase de Lina que sintetiza bem o conceito: “o povo faz por necessidade coisas que tem relação com a vida”. Simples assim.

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março 23, 2010 at 5:21 pm

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Cobras e Lagartos

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Sei que, além de rotundo, já tô ficando redundante… Mas juro que no mundinho só se fala na mostra (maravilhosa) de design finlandês que tá rolando no Tomie Ohtake – se você não foi até agora, tenta dar um jeito (adorei tudo o que vi por lá)!

Aproveitando a deixa, já contei para vocês que a Scandinavia Designs é quase uma pedra no meu sapato, né?

A loja fica exatamente no meio do meu trajeto diário e é inevitável: nunca consigo passar batido por aquela vitrine convidativíssima. Sempre paro um pouquinho (nem que seja por uma fração de segundos) para escanear o que tem de novidade ali (acredite: sempre há algo fresh, que não estava lá na semana anterior).

A poltrona-arraia “Sting Ray”, do designer dinamarquês Thomas Pedersen, continua encabeçando a minha lista de objetos de desejo (já falei dela aqui há mais de um ano, lembra?). Mas entre os pequenos objetos, acabo de me render aos vasos e centros de mesa pintados pela sueca Ulrica Hydman-Valluen, para a poderosíssima Kosta Boda. Um jeito cool de soltar os bichos na casa! O preço (a partir de R$1.600 cada) é salgadíssimo, como quase tudo por lá (pronto, falei!), mas quem ousa dizer que os mimos não valem cada centavo? Eu nem me atrevo…

+ www.scandinavia-designs.com.br

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março 18, 2010 at 3:09 pm

Planetinha décor

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Da série “à moda da casa”, deu gosto de ver os desfiles da temporada internacional. Revendo Paris, percebi que dois deles, em especial, foram explícita e declaradamente inspirados em temas-combustíveis deste blog.

A finíssima Comme des Garçons, por exemplo, tocada pela hypada japonesa Rei Kawakubo, tomou partido de almofadas, tecidos retorcidos, dobras volumosas e transparências que diz ter pinçado do planeta décor. Legal, né?

Look Comme des Garçons desfilado em Paris; cadeira Atec; o set de luminárias e o vaso são da Benedixt

Já o coisa nossa Pedro Lourenço, em sua elogiada estreia na gringa, deixou de joelhos as editrixes mais temidas do planeta, com vestidos e casacos arquitetônicos em homenagem a Oscar Niemeyer, cuja obra-prima Brasília completa cinquenta aninhos mês que vem: “Quero falar do Brasil, mas de coisas boas, e não daquela visão colonizada que muitos têm do nosso país”. Recado bem dado com volumes tridimensionais feitos de plástico ou couro endurecido. A referência arquitetônica? Repare nas tiras horizontais, que lembram persianas modernistas, bem ao estilo Niemeyer. Qualquer semelhança com o Copan, digamos, não é mera coincidência!

Look Pedro Lourenço, inspirado em Oscar Niemeyer para marcar a estreia do jovem estilista na gringa; cadeira Clami Design; poltrona arredondada Cecilia Dale; poltrona (com braços) Carbono Design; luminária de mesa Bertolucci; pendente Bali Express

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março 15, 2010 at 5:42 pm

Teste Vocacional

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Uma vez visitei uma olaria no Chile e, babão que sou, aceitei o convite simpático da artesã para botar a mão na massa – era um sonho antigo, desde a minha primeira infância, quando vi aquela cena canastrona da Demi Moore com o saudoso Patrick Swayze, em “Ghost”. Depois de, involuntariamente, moldar um shape quase pornográfico e travar o torno da mulher, não só paguei um mico maior que o King Kong, como percebi que não tenho a menor coordenação motora para o assunto. Talvez numa próxima encarnação, quem sabe, volto um escultor dos bons.

Inaptdões à parte, continuo morrendo de amores pelas artes cerâmicas. Das fornadas mais recentes, pincei três peças fabulosas que, sem nenhuma pretensão, caem como uma luva neste meu puxadinho (reparem nas cores). Infelizmente, só uma delas me pertence (adivinhe qual), mas um dia a gente chega lá!

Abajur-escândalo do top decorator (e top ceramista) norteamericano Jonathan Adler. Boa notícia: tem aqui na Conceito: firmacasa

Vaso italiano vazado, design dos arquitetos italianos Massimiliano e Doriana Fuksas, para a Alessi

Centro de mesa da ceramista brasileira Kimi Nii, para a Saccaro

+ www.conceitofirmacasa.com.br

+ www.alessi.com

+ www.saccaro.com.br

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março 11, 2010 at 2:09 pm