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Archive for the ‘Arquitetura’ Category

Tsuru

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A história de Shigeru Ban com o papel vai muito além das 456 páginas deste art book que acaba de sair das fornalhas da Taschen.Considerado pela revista Time uma das mentes mais criativas do século 21, o arquiteto rasgou todos os conceitos cartesianos ao construir edifícios com possibilidades inimagináveis de celulose, a matéria- prima mais reciclável de que se tem notícia. “Não gosto de desperdício”, disse ele há 20 anos, quando sustentabilidade ainda era uma questão mais acadêmica do que prática. Desde aquela época, o artista japonês surpreende ao associar algumas toneladas de concreto com colunas de papelão e afins em casas, igrejas, pavilhões e galerias de arte. Seu portfólio, um dos mais comentados da arquitetura contemporânea, inclui a  espetacular concept store do estilista Issey Miyake, no Japão, e uma ponte de papel sobre o rio Gardon, na França.

Nascido em Tóquio, 53 anos atrás, radicado nos EUA, com QG em Paris e na capital nipônica, Ban desenvolveu uma linguagem arquitetônica transversal, que mistura modernismo, experimentalismo, tridimensionalismo, ecologia e poesia – a principal marca do seu traço. Mas a silhueta “origâmica” de seus prédios não é mero mise-en-scène. Humanistas até a última viga e economicamente viáveis, seus projetos foram aproveitados pela ONU na reconstrução da Kobe pós-terremoto e da Nova Orleans devastada pelo furacão.

Boa parte do seu legado está neste “Shigeru Ban: Complete Works”, livro überluxuoso editado por Philip Jodidio. Objeto de desejo, a edição limitada – são 200 cópias numeradas e assinadas pelo gênio – traz uma malha de madeira africana feita à mão, inspirada no telhado de sua mais recente obra-prima, o Centro Pompidou-Metz, na França. Eu queria muito, mas chupa esse “mangá”: custa mil dólares.

+ taschen.com

 

Written by AllexInCasa

outubro 26, 2010 at 6:52 pm

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Uma casinha em Springfield

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Acabo de colocar no meu carrinho da Amazon o box com a 20ª temporada de “Os Simpsons”. Mesmo passando a barreira dos 30, continuo amarradão na série animada que Matt Groening criou 20 anos atrás para escandalizar os costumes norteamericanos com o que havia de mais politicamente incorreto na ocasião.

Eram os anos 90 e o mundo assistia de camarote à franca expansão da democracia, o colapso da União Soviética, a Guerra do Golfo, o clone de Dolly, o fim do Apartheid e a eleição de Mandela na África do Sul. Também se começava a sentir na pele os efeitos deliciosamente devastadores da globalização (como viver sem ela, hoje em dia?) que tomaria o planeta de assalto nos anos seguintes, com a popularização dos PCs pessoais e da internet. No Brasil, Collor assombrava a classe média com o fisco das poupanças e a gente temperava a macarronada de domingo com “The Simpsons”, exibido originalmente aqui pela Globo – àquela época, campeão absoluto de audiência.

Fundamentais na formação cultural de qualquer aborrecente plugado na cena pop, Bart e cia influenciaram não apenas a nossa forma de ver e lidar com o humor, mas nos nutriram de um entendimento nada distorcido (embora über ácido) da sociedade contemporânea na maior potência econômica mundial do planeta. E a gente se via ali, espelhados neles, já que, colonizados que somos, aprendemos a assimilar muito rápido tudo o que vem de fora – não que seja algo do qual devamos nos orgulhar. Mas que é assim, ah, é!

No balanço das horas, entre animês japas, blockbusters em 3D e uma enxurrada de cartoons cult, vieram evoluções mais apimentadas em animação, como South Park, Futurama (do próprio Groening), Family Guy e afins. Demodê ou não, continuo com o bom e velho Simpsons e sua maneira de sacanear a si próprios tanto quanto aos outros – incluindo arquitetos e decoretes famosos.

A casa da família, por exemplo, decorada por Margie Simpson à moda pastiche que faz a cabeça dos Yankees (quem nunca reparou na cortina estampada com espigas de milho da cozinha?), é um retrato do lifestyle da terra de Obama. No dia da mentira, entre imagens icônicas do desenho animado e a minha caricatura simpsoniana, colo aqui a planta da toca de Homer e um take do episódio engraçadíssimo onde o arquiteto canadense Frank Gehry (nem ele escapou!) baixa para dar um sopro de vanguarda no urbanismo careta de Springfield. O resto, você vê na Fox!

Written by AllexInCasa

abril 4, 2010 at 9:47 pm

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Japan Pop Show

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Sempre me empolgo quando um grande arquiteto mira a sua prancha para a concepção de produto. Afinal, o que é o design senão a própria arquitetura traçada numa escala reduzida, com todos os valores que pedem as artes humanistas? É o caso da luminária “Mayuhana”, cria do japonês Toyo Ito (o cara que projetou a Serpentine Gallery, em Londres – só isso, tá?).

Como se fosse um novelo de lã (mas com aquela lógica que os nipônicos adoram), ele trança filamentos delgados de fibra de vidro sobre um molde de forma orgânica, que tem esse look meio colmeia, meio casulo, ao mesmo tempo muito modernex. O efeito de iluminação é bacanérrimo, já que a luz filtrada brinca com o jogo de sombras à moda zen, lembrando aquelas luminárias folclóricas de papel-arroz. No Brasil, com exclusividade na Dominici (www.dominici.com.br).

E por falar em olhinhos puxados, começa hoje, no Shopping Iguatemi SP, o Japan Design, feira de produtos de arte, moda e design japoneses organizado pela JETRO – Japan External Trade Organization.  “São Paulo, uma das grandes capitais do mundo, está em sinergia com o evento que já passou por Milão, Paris e Nova York. Esperamos um público seleto, consumidor de arte e design, que prima pela qualidade e sofisticação dos produtos japoneses”, explica Hiroshi Hara, Diretor Vice-Presidente da Jetro. “Moscou e Dubai serão os próximos destinos”, completa.
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Até 4 de outubro, você pode conferir (e comprar) produtos tradicionais de diferentes localidades da terra do sol nascente. De Oita, por exemplo, a Aki utiliza papelão cortado a lazer em suas criações. São formas de animais, manequins e embalagens, recortadas em 3 D.
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Entre tapetes e mobílias fabricadas em junco, de Kyoto vem a técnica milenar do Urushi, pintura em laca que remonta há mais de cinco mil anos, que aqui colore peças de madeira e resina com acabamento brilhante. Na onda da imagem que abre o post, a Taniguchi traz luminárias assinadas pelo premiado designer japonês radicado na Itália, Toshiyuki Kita.  As peças são confeccionadas em papel artesanal washi, com técnica especial que  dispensa as emendas nas cúpulas.

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setembro 22, 2009 at 7:10 pm

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Suave é a noite

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Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução

Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!

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agosto 26, 2009 at 12:34 pm

Design de autor

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E tá rolando lá em Bento Gonçalves, RS, até sábado agora, 08/08, a Casa Brasil, espécie de versão brasuca do Salão do Móvel de Milão, que reúne marcas e criadores para fazer uma amostra da sua produção mais recente. Por conta do fechamento de Casa Vogue, tive que recusar o convite simpático dos organizadores, mas tô de olho no que aparece de mais bacana por lá.

Sergio Rodrigues, que dispensa apresentações, é o curador da coleção Design do Autor, da Schuster (www.moveis-schuster.com.br) que convidou um time bacana de pranchatas para assinar uma linha industrial com pegada personalizada. O briefing: referências brasileiras materiais naturais.

Com vocês, as peças assinadas por Lattoog, Mendes Hirth, Rejane Leite, Veronica Rodrigues e Zanini de Zanini (o filho do homem).

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agosto 7, 2009 at 10:48 am

A rosa de Hiroshima

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Há exatos 64 invernos, em 6 de agosto de 1945, a humanidade escrevia um dos seus piores capítulos: a Segunda Guerra Mundial. Naquele ano, a ferida viva do Holocausto pulsava na civilização ocidental – levemente suturada pelo suicídio do ditador-anti-cristo Adolf Hitler, em abril –, quando o mundo testemunhou, estarrecido, outra atrocidade: a bomba atômica que os Estados Unidos lançaram sobre  Hiroshima. Ali, mais de 100 mil pessoas foram varridas do mapa sem tempo de entender como e porquê – a maioria delas, camponeses indefesos, já que a cidade foi escolhida justamente por ser alheia aos armamentos e absolutamente vulnerável, recolhida entre os vales. Três dias mais tarde, um novo bombardeio em outro alvo interiorano, Nagasaki, ceifou a vida de mais de 70 mil inocentes, confirmando a eficiência demoníaca da tecnologia bélica detonada pelo presidente americano em exercício, Harry S. Truman. Na ocasião, o físico J. Robert Oppenheimer, que comandou a equipe de cientistas e engenheiros responsáveis pelo artefato, declarou: “Eu me tornei a Morte, um destruidor de mundos”. Mesmo arrependido, sua conta foi entregue: morreu de câncer 3 anos depois dos atentados.

Os EUA venceram. E Hiroshima e Nagasaki ainda sentem na pele os traumas do ataque (literalmente, já que a radiotividade nuclear imprimiu rastros que atravessaram as décadas).

O Japão, hoje uma das nações mais pacifistas do mundo, também se tornou a segunda maior potência econômica do globo. O planeta inteiro olha para ele.

Muito além da cultura zen, tecnologia de ponta, artes marciais, inspiração purista, jardins simétricos e filosofias milenares, origamis e sushis, macarrões instantâneos e karaokês, a terra do sol nascente exportou para o mundo talentos fantásticos na arquitetura, no design e nas artes. No dia em que o país lembra um dos seus momentos mais dramáticos, fazemos aqui um registro, em forma, cor e volume, de alguns herois da estética nipônica para a casa no século 20.


Croqui do arquiteto Tadao Ando para o Centro de Arte Contemporânea de Venice


Gaveterio relovucionário que o designer Shiro Kuramata desenhou para a Cappellini, nos anos 90.


Sofá, mesa de centro e luminária do escultor, arquiteto e designer  Isamu Noguchi, produzidas entre as décadas de 60 e 70


Pintura coloridíssima de Takashi Murakami, um dos responsáveis pelo status de arte  dos toys, referências de rua e HQs / Cadeiras de madeira e papel reciclado de Shigeru Ban, do final da década de 90

Saideira com uma das canções mais cults da MPB, imortalizada pelo divo Ney Matogrosso, lá nos anais do Secos e Molhados:

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agosto 6, 2009 at 11:53 am

Decodificado

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Hoje fui lá na COD (Creative Original Design), a loja que ocupa aquele prédio classudão projetado por Paulo Mendes da Rocha na avenida Cidade Jardim, onde a Forma fez e aconteceu nos últimos 50 anos. Sim, o endereço continua lindo – e bem cuidado –  nas mãos da nova marca, incluindo no que se refere a demanda com selo Made in Brazil, como as criações descoladas do Wagner Archela – o cara que me levou lá para apresentar o esquema, inclusive. Enquanto não mostro as últimas do Archela, separei duas peças especiais do Pedro Useche.

A primeira é este carrinho de chá simplérrimo  (exatamente por isso, ultra-elegante), que borrifa um sopro de modernidade sobre uma forma já clássica, de apelo bem brasuca.

O cabideiro, também compatriota, faz menção honrosa às natureza com seu jeitão de galho seco (ou seria uma antena das civilizações pré-tv a cabo?) . Seja lá o que for, a peça se enquadra  no último grito do design, que pede simbiose entre mimetismo + look alienígena (aguarde post sobre o tema amanhã).

Grande vitrine  do design internacional (a COD representa as formas e volumes insuspeitos da Teperman, Rolf Benz e Herman Miller), a nova loja também destaca a porção designer de Oscar Niemeyer. Aquela chaise deslumbrante de madeira e palhinha (um dia ainda terei uma!), é um dos high-lights do espaço.  www.codbr.com

Written by AllexInCasa

julho 29, 2009 at 2:22 pm