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Archive for the ‘Artes’ Category

A mosca que pousou em sua sopa

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E ontem começou a expo de Regina Silveira na Galeria Bolsa de Arte de Porto Alegre (www.bolsadearte.com.br). Adoro tudo o que ela faz. Regina ficou conhecida na década de 80, por suas paródias da perspectiva e das sombras projetadas. Naqueles anos loucos e desvairados, onde o exagero ditava as regras do jogo, a mulher realizou uma série do balacobaco batizada de Anamorfas, conjunto de gravuras e desenhos fundamentados em distorções dos contornos lineares de pequenos objetos.

O trabalho de Silveira, diversificado no uso de materiais e meios (gravuras, tapetes, objetos, vídeos, instalações, projeções), está fundamentado em suas reflexões sobre a natureza ilusionista de imagens e espaços, sejam representados ou experimentados.

Certa vez estive na casa da Luciana Brito e morri de amores pela mosca gigante de Regina posada numa parede do living – intrigante, instigante, divertida e absoulutamente interativa com o look da casa da galerista. Fiquei fã de carteirinha. Para o blog, escolhi duas louças-esculturas que jamais passariam despercebidas: uma com a insetolândia que a consagrou; outra com a surreal freada de pneu.

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Written by AllexInCasa

maio 27, 2010 at 10:37 am

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Chic no úrrrrtimo

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E hoje tem pregão chic na Paulicéia. João Pedrosa, a maior autoridade em antiquariato que eu conheço, bate o martelo para quem der mais em Colecionando Chic, leilão que agita os bambas ligados em arte e décor.

Vi o catálogo do prólogo ao epílogo e afirmo: são 160 peças simplesmente espetaculares, garimpadas em viagens, feirinhas ou cooptadas nos leilões e acervos mais concorridos do mundo – com a expertise e o bom gosto singulares de Monsieur Pedrosa.

Entre, fotografias (como o belíssimo retrato de Carmen Miranda, feito por Jean Manzon nos anos 40), muranos, cerâmicas (um prato de Fornasetti dos anos 60 está entre as estrelas), serigrafias (fique de olho na de Ivan Serpa), pôsteres, pinturas e biombos (você vai ficar de queixo caído pela peça de quarto folhas pintada por Buffoni nos anos 50), dá pra confiar de olhos fechados na curadoria do antiquário, colecionador e galerista que sabe tudo de estilo.

A quem interessar possa, reproduzo aí embaixo o texto do próprio curador, explicando o conceito do acervo e sua razão de ser. Um motivo a mais para investir em peças certificadas pelo tempo, pela história e por uma estética acima de qualquer suspeita:

“Porque chic? Porque o chic se faz necessário no mundo de hoje mais do que nunca. O que é chic? Não explique o seu chic, ou outras pessoas podem copia-lo. Ou até mesmo você. E isso nunca é chic. Peças na coleção tem chic. Uma qualidade indefinível. No conjunto e no indivíduo. No coletivo ou no particular. Todas as peças aqui oferecidas, são provenientes de 2 coleções com um só tema, ele mesmo, o Chic. Aqui estão não só artistas que já foram ou sempre serão chics, mas peças chics dos mais variados tipos de artistas. Começa-se com arte dos anos 1950/60/70, como o construtivo Ivan Serpa; e um expressionista abstrato francês, que foi moda em seu tempo: Georges Mathieu.”

E o mais pop de todos: Victor Vasarely. Uma poética aquarela de Cícero Dias e uma magnífica pintura abstrata de John Graz, de 1975, são high-lights. Conseguimos provar que até artistas que tem algo kitsch tem obras chic: Walter Lewy e Toyota. Mais arte chic na forma de nus, retratos, e naturezas-mortas. Nas artes decorativas, um raríssimo biombo de Buffoni, um italiano, que foi paulistano nos anos de 1950 a 70. Mobiliário tem seus grandes nomes, que começa pelos internacionais Hoffman e Florence Knoll, para chegar aos brasileiros Dinucci, Zanine, Sérgio Rodrigues, e Scapinelli.

Na forma de art déco, ferronerie dos anos 40, e uma peça muito rara do estilo aerodinâmico brasileiro, uma mesa lateral, com o tampo marchetado com motivo de araucárias. Em fotografia, algumas colecionáveis fotos de grupos, de moda do século XIX, e elegantes estudantes do entre-guerras inglês. Na fotografia, clássicos, como Pierre Verger e Jean Manzon, internacionais como Miguel Rio Branco, e modernos, como Daniel Klajmic, Martin Usborne, e Rubem Azevedo, com um díptico quase único. Um vaso raríssimo do genial Dino Martens, para a vitreria “Arte Vetraria Muranese” (A.Ve.M.), da extraordinária série “Oriente”. Vidros de Ingeborg Lundin e Max Werboeket, além de Timo Sarpaneva e Tappio Wirkalla. Um prato dos anos 1920, do artista Art Déco parisiense, Leon Leyritz. Peças nórdicas de Iittala, Kosta, e Orrefors. Cinzeiros da vitreria A.Ve.M., de Murano dos anos 50, e os coloridos e decorativos vasos-garrafa, dos anos 1960/70. Cerâmicas vão dos anos 1930 até 1970, incluindo grandes nomes do Art Déco francês como o famoso F. Bichoff. E outros grandes nomes como Gouda (Holanda), Beswick Ware (Inglaterra), Amphora (tcheca), Streamline (Norte-americana), Bavária (Alemanha), Fat Lava (Alemanha Oriental), e Rosenthal Netter, marca alemã, feita na Itália, para o público norte-americano, são destaques. Além de uma peça única da melhor cerâmica nacional: Ars Bohemia, desenhada com ponta seca. E o italiano genial Piero Fornasetti, com um de seus divertidos pratos de porcelana. As artes gráficas estão representadas por raridades geniais como 4 gravuras do livro “Sertum Palmarum Brasiliensium” de J. Barbosa Rodrigues, de 1903, a melhor peça da flora brasileira do século 19. E gravuras de interiores Art Déco, do folio parisiense, de 1925, “Ensembles Mobiliers “, do editor Charles Moreau. Um poster do fashion designer dos anos 1980, Jean-Charles de Castelbajac, e outro do mestre do design gráfico e decorativo dinamarquês dos anos 1960/70: Bjorn Winblad.

Objetos decorativos como caixas de laca japonesa art-Déco, bandejas, luminárias, tapetes espelhos e, nada mais chic, aquarelas de interiores assinadas por Ben Botoeiek. Bronzes de animais incluem um rato no estilo cartoon, que é outra jóia do leilão, prata da ainda atual marca W.M.F. e até portuguesa, feita à mão, dos anos 1940.

Esse é também um leilão de peças acessíveis, pois fora 10% das peças (16), que são high-lights internacionais, e que tem estimativas de acordo com seu status, as outras 90% das peças (144), tem o preço médio de apenas R$ 2.000. Cada peça tem características próprias, seja no material raro ou exótico, na manufatura formal, na assinatura perfeita para aquele objeto, seja uma indefinível qualidade que é quase intangível, ou até uma característica óbvia. Essa é uma seleção que merece ser chamada como tal, e um leilão único. Com essa rara curadoria é possível mobiliar e acessorizar qualquer endereço elegante, quando não completar com high-lights, uma chic e erudita coleção.” João Pedrosa, curador.

+ www.artepedrosa.com.br

Written by AllexInCasa

maio 13, 2010 at 5:35 pm

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Foto em casa

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Já escrevi aqui muitas vezes sobre o espaço que a fotografia vem ganhando entre as artes plásticas e, consequentemente, potencializando o seu status enquanto um dos elementos mais bem cotados na decoração contemporânea – até pela acessibilidade.

Coloridas ou p&b, fotografias sempre causam sensação quando penduradas como quadros, contracenando com pinturas (ou substituindo-as mesmo); apoiadas no chão ou sobre um aparador, e sobrepostas enigmaticamente, compondo um mosaico.

A tendência está aí e é um prato cheio pra quem curte, como eu. Infelizmente, não tenho (ainda) nada de Pierre Vergé, Robert Mapplethorpe, Sebastião Salgado, Mario Cravo Neto ou Cartier Bresson, e morro de inveja (branca) do Otto Stupakoff da minha amiga Patricia Favalle. Mas devo dizer que tenho um certo orgulho da minha pequena coleção.

Faz quase 12 anos que colaboro ativamente para o mercado de luxo (dez deles, só na Vogue). Tanto tempo lidando com excelência gráfica, onde a matéria-prima (uma boa foto) é fundamental, me deu certa expertise para identificar que aqui no Brasil existem bons fotógrafos, excelentes fotógrafos e os melhores fotógrafos. E existe Romulo Fialdini, na minha modesta opinião, acima de qualquer categoria classificatória.

Enquanto os grisalhos balzaquianos pipocam entusiasmadamente na minha cabeça, olho para trás e percebo que nunca vi uma foto “mais ou menos” do cara – quem leu a Casa Vogue de fevereiro, já sacou a admiração que tenho por ele – a sacada, o ângulo, o recorte, a luz e a poesia por trás do clique são inconfundíves.

Tudo isso para dizer, orgulhosamente, que meu cafofo acaba de ser condecorado (afinal, ele merecia!) com um take incrível do elevador Lacerda, de Salvador, com assinatura do mestre Romulo. Iria postar a tal imagem aqui, mas daí fui mais longe e resolvi mostrar um pouquinho do universo estético do artista por trás das lentes. De quebra, você ganha uma dica de decoração infalível: leva estilo, personalidade, traquitanas chiques e, como não poderia deixar de ser, muitas fotos. Com vocês, o fabuloso mundo de Romulo!

Written by AllexInCasa

março 26, 2010 at 5:08 pm

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Atenção: Homens Trabalhando!

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Que atire a primeira marreta quem nunca adentrou os recônditos de uma obra e calcou sua pegada no cimento fresco…

É muito comum, no âmbito da construção civil, mestres de obras, pedreiros e serventes, inventivos que são, criarem mesas, cadeiras, bancos, camas e outros móveis efêmeros (para uso pessoal e intransferível) a partir de descartes de madeira e o que mais estiver ao alcance das mãos. Por trás desse design tosco, quase marginal, está o suor de uma das labutas mais ingratas (e fundamentais para a sociedade), além do senso de ergonomia e pureza de uma gente que quebra o coco, mas não arrebenta a sapucaia. É a máxima da funcionalidade, que rechaça toda e qualquer vaidade em nome do uso. Há, nisso tudo, uma poesia que quase ninguém enxerga. Marcio Kogan e companhia (Beatriz Meyer, Carolina Castroviejo, Diana Radomysler, Eduardo Chalabi, Eduardo Glycerio, Gabriel Kogan, Lair Reis, Maria Cristina Motta, Mariana Simas, Oswaldo Pessano, Renata Furlanetto, Samanta Cafardo, Suzana Glogowski e Álvaro Wolmer), não só notaram a graça da coisa, como vislumbraram ali um universo estético imaculadamente criativo e potencialmente antenado (com questões atualíssimas como as tendências que apontam para a frugalidade no desenho e para o reaproveitamento de materiais em nome do meio ambiente).

Acabo de bater um papo com o arquiteto sobre a nova (e genial) coleção de móveis que leva assinatura do seu StudioMK27, para a Micasa.

Batizada de “Próteses e Enxertos”, com ares – absolutamente despretensiosos – de instalação de arte, os móveis são de uma simplicidade absurda, mas é claro que têm um quê de engenhosidade e vanguarda típicos da trupe de Kogan.

Resgatados dos canteiros de obras dos projetos do escritório, os móveis construídos por trabalhadores anônimos ganharam pequenas – e notáveis – intervenções (as tais próteses e enxertos). Nesse contexto, uma mesa de tábuas pregadas foi condecorada com uma luminária de cobre importada; outra tem embutido um modernoso porta-joias automatizado; há também uma no melhor estilo “do lixo ao luxo”, que mistura madeira ordinária com ouro, entre outras tantas. A minha peça predileta, o banquinho Bo (em homenagem a legendária arquiteta Lina Bo Bardi), evoca o “apoio girafa” com toque lúdico levado às últimas consequências, em versão mirim.

Aliás, no catálogo da mostra (por sinal, poderosíssimo, com projeto gráfico e textos bacanérrimos de Gabriel Kogan, o herdeiro do homem), há uma frase de Lina que sintetiza bem o conceito: “o povo faz por necessidade coisas que tem relação com a vida”. Simples assim.

Written by AllexInCasa

março 23, 2010 at 5:21 pm

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Blue de mer

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Na garupa do último post, olha só que “inacrê” essa imagem clicada por Giovanna Nucci, que amanhã abre as portas do seu estúdio (na Rua Natingui 1458, Pinheiros) para mostrar a Série Azul, ensaio com 20 imagens do mar feitas no Rio, em Floripa e na República Dominicana. No traço-limite entre o registro fotográfico e a arte, fascinada pelo azul-marinho, Giovanna trabalha com uma abstração quase monocromática, que impressiona pela poética da paisagem e faz o expectador querer mergulhar de cabeça dentro de cada fotografia. “Ainda que eu seja muita crítica, meu olhar é sempre benevolente e tendo a ver o melhor de tudo”, diz. E lembre-se de que as fotos estão em alta no mercado das artes e super in no décor.

Written by AllexInCasa

novembro 23, 2009 at 6:37 pm

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Japan Pop Show

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Sempre me empolgo quando um grande arquiteto mira a sua prancha para a concepção de produto. Afinal, o que é o design senão a própria arquitetura traçada numa escala reduzida, com todos os valores que pedem as artes humanistas? É o caso da luminária “Mayuhana”, cria do japonês Toyo Ito (o cara que projetou a Serpentine Gallery, em Londres – só isso, tá?).

Como se fosse um novelo de lã (mas com aquela lógica que os nipônicos adoram), ele trança filamentos delgados de fibra de vidro sobre um molde de forma orgânica, que tem esse look meio colmeia, meio casulo, ao mesmo tempo muito modernex. O efeito de iluminação é bacanérrimo, já que a luz filtrada brinca com o jogo de sombras à moda zen, lembrando aquelas luminárias folclóricas de papel-arroz. No Brasil, com exclusividade na Dominici (www.dominici.com.br).

E por falar em olhinhos puxados, começa hoje, no Shopping Iguatemi SP, o Japan Design, feira de produtos de arte, moda e design japoneses organizado pela JETRO – Japan External Trade Organization.  “São Paulo, uma das grandes capitais do mundo, está em sinergia com o evento que já passou por Milão, Paris e Nova York. Esperamos um público seleto, consumidor de arte e design, que prima pela qualidade e sofisticação dos produtos japoneses”, explica Hiroshi Hara, Diretor Vice-Presidente da Jetro. “Moscou e Dubai serão os próximos destinos”, completa.
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Até 4 de outubro, você pode conferir (e comprar) produtos tradicionais de diferentes localidades da terra do sol nascente. De Oita, por exemplo, a Aki utiliza papelão cortado a lazer em suas criações. São formas de animais, manequins e embalagens, recortadas em 3 D.
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Entre tapetes e mobílias fabricadas em junco, de Kyoto vem a técnica milenar do Urushi, pintura em laca que remonta há mais de cinco mil anos, que aqui colore peças de madeira e resina com acabamento brilhante. Na onda da imagem que abre o post, a Taniguchi traz luminárias assinadas pelo premiado designer japonês radicado na Itália, Toshiyuki Kita.  As peças são confeccionadas em papel artesanal washi, com técnica especial que  dispensa as emendas nas cúpulas.

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Written by AllexInCasa

setembro 22, 2009 at 7:10 pm

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Suave é a noite

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Paisagem de Nice, região costeira da França conhecida como Cote D’Azur ou Riviera Francesa / foto: Reprodução

Parafraseando Fitzgerald (o escritor, não a Ella), vou dar um pulinho ali na Cote D’Azur e já volto – uma work-trip daquelas, com pompa e circunstância de férias. Mando notícias do mundo de lá, na medida do possível – como faço sempre que encontro algo descolex deste nosso universo esteta. Beijão e até a volta!

Written by AllexInCasa

agosto 26, 2009 at 12:34 pm